quinta-feira, 8 de outubro de 2026

 


🎯 Caça ao Tesouro da BGQ: uma aventura pelos caminhos da informação

Você já imaginou transformar uma visita à biblioteca em uma aventura?

Durante a Agenda Acadêmica UFF 2026, a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) convida a comunidade acadêmica para participar de uma atividade diferente: a Caça ao Tesouro da BGQ — desvendando os caminhos da informação.

A proposta é explorar a biblioteca de uma maneira lúdica e interativa, utilizando pistas, desafios e estratégias de busca para percorrer diferentes caminhos até chegar ao tão esperado tesouro.

🔎 Uma biblioteca também pode ser um espaço de descobertas!

Quando pensamos em uma biblioteca universitária, é comum lembrarmos imediatamente de livros, estantes, computadores e bases de dados. Mas uma biblioteca também é um espaço de descoberta, investigação e construção do conhecimento.

Pesquisar envolve fazer perguntas, identificar informações, selecionar fontes, estabelecer conexões e encontrar respostas. Muitas vezes, o caminho até uma informação não é imediato: é preciso observar pistas, experimentar diferentes estratégias e tentar novos caminhos.

É justamente essa ideia que inspira a Caça ao Tesouro da BGQ.

Ao longo da atividade, os participantes serão convidados a utilizar diferentes recursos e habilidades relacionados à busca e recuperação da informação, descobrindo que os caminhos para encontrar uma resposta podem ser tão interessantes quanto a própria descoberta.

🔎 Do catálogo à estante!

Uma das propostas da atividade é aproximar os participantes de recursos que fazem parte da rotina de uma biblioteca universitária. Saber utilizar o catálogo, compreender as informações de uma referência e localizar uma obra na estante são habilidades importantes para quem realiza pesquisas acadêmicas.

Na Caça ao Tesouro, esses procedimentos ganham uma nova dimensão: tornam-se pistas para solucionar desafios.

Assim, uma busca que normalmente faria parte da rotina de pesquisa passa a ser também uma experiência de exploração.

 🔎 Informação, estratégia e trabalho em equipe!

Além da busca no catálogo e da localização de materiais, a atividade contará com outros desafios preparados pela equipe da BGQ.

A ideia é estimular a atenção, o raciocínio, a colaboração e a capacidade de encontrar soluções a partir das pistas disponíveis.

Mais do que descobrir um objeto ou chegar a um determinado ponto da biblioteca, o verdadeiro desafio será descobrir os caminhos que levam à informação.

E, nesse percurso, cada pista pode representar uma nova pergunta:
  • Onde procurar?

  • O que observar?

  • Qual informação pode ajudar?

  • Qual caminho seguir?

Essas são perguntas que também fazem parte do processo de pesquisa científica.

📚 Uma atividade para descobrir a biblioteca:

A Caça ao Tesouro também é uma oportunidade para apresentar a BGQ/UFF sob uma perspectiva diferente.

Especializada em Geoquímica, a biblioteca oferece recursos de informação que apoiam as atividades acadêmicas, científicas e de pesquisa. Seu acervo reúne diferentes tipos de materiais que podem auxiliar estudantes, pesquisadores, docentes e demais interessados na busca por conhecimento relacionado à Geoquímica e às Ciências da Terra. 

Por isso, a atividade propõe uma aproximação entre biblioteca, informação e descoberta. Afinal, pesquisar também é uma forma de explorar.

🧩 Quando será a Caça ao Tesouro?

A atividade será realizada presencialmente na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica — BGQ/UFF, em três horários:

 

📅 26 de outubro de 2026
⏰ 14h às 16h

https://www.agendaacademica.uff.br/inscricao/?id=17670 

📅 27 de outubro de 2026
⏰ 10h às 12h

https://www.agendaacademica.uff.br/inscricao/?id=17696

📅 29 de outubro de 2026
⏰ 14h às 16h

https://www.agendaacademica.uff.br/inscricao/?id=17697 

 

📝 As inscrições estarão abertas até 23 de outubro de 2026.

Os interessados devem realizar a inscrição pelo formulário da atividade na Agenda Acadêmica UFF 2026 e escolher a data de participação.

🌎 Descobrir também é aprender.

A Caça ao Tesouro faz parte da programação de outubro da BGQ, que neste ano traz como tema “Outubro na BGQ: a Terra em foco”.

Ao longo do mês, as publicações da biblioteca abordam temas relacionados à geodiversidade, minerais, riscos naturais, geoética, ciência e pesquisa.

A atividade da Agenda Acadêmica amplia essa proposta: se nas publicações buscamos descobrir mais sobre a Terra, na Caça ao Tesouro o convite é para descobrir mais sobre os caminhos da informação.

Porque toda pesquisa começa com uma pergunta...

E toda descoberta pode começar com uma pista. 🔎




terça-feira, 6 de outubro de 2026


Dia Internacional da Geodiversidade: conheça a diversidade natural da Terra

Você já parou para observar a variedade de formas, materiais e paisagens que compõem o nosso planeta? As rochas que encontramos em uma montanha, os minerais presentes no subsolo, os diferentes tipos de solo, os rios, lagos e oceanos, os fósseis que registram formas de vida do passado e as inúmeras paisagens que observamos são exemplos de elementos que fazem parte da geodiversidade.

A geodiversidade corresponde à variedade de componentes e processos que constituem a parte não viva da natureza. Ela está presente no nosso cotidiano e é fundamental para compreender a história e o funcionamento da Terra.

🪨 O que faz parte da geodiversidade?

A diversidade geológica do planeta pode ser observada em diferentes elementos, entre eles:

  • Rochas, formadas por diferentes processos geológicos e encontradas em ambientes diversos;
  • Minerais, componentes fundamentais das rochas e importantes para inúmeras atividades humanas;
  • Solos, resultado da interação entre materiais geológicos, clima, organismos, relevo e tempo;
  • Águas, presentes em rios, lagos, aquíferos, mares e oceanos;
  • Fósseis, registros de organismos e ambientes do passado geológico;
  • Paisagens, que refletem a atuação de processos geológicos ao longo de milhões de anos.

Esses elementos não existem de forma isolada. Eles estão constantemente relacionados e são resultado de processos que acontecem na superfície e no interior da Terra.

🔬 A importância da Ciência da Terra

É nesse contexto que as Ciências da Terra desempenham um papel fundamental. Por meio da Geologia e de outras áreas das Geociências, é possível investigar como os materiais e as paisagens se formam, como se transformam ao longo do tempo e de que maneira diferentes processos naturais interagem.

Estudar a geodiversidade também significa compreender melhor a história do planeta, seus recursos naturais, suas paisagens e os processos que continuam modificando a Terra atualmente.

Além do seu valor científico, a geodiversidade possui importância ambiental, cultural, educacional e social. Conhecê-la é um passo importante para reconhecer e valorizar o patrimônio natural e compreender a necessidade de sua conservação.

📚 Quer descobrir mais?

Para quem deseja aprofundar seus conhecimentos sobre Geologia, Geociências e a história da Terra, a Biblioteca de Geociências da Universidade Federal Fluminense (BGQ/UFF) é um importante espaço de pesquisa e acesso ao conhecimento.

🔎 Pesquise no acervo da BGQ/UFF e descubra livros, trabalhos e outros materiais que podem ajudar você a conhecer ainda mais sobre a geodiversidade e as Ciências da Terra.

🌎 Conhecer a geodiversidade é também conhecer a história do planeta em que vivemos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Outubro na BGQ: a Terra em foco

Outubro chega à Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) com um convite: olhar para a Terra, fazer perguntas e descobrir novos caminhos para o conhecimento.

Ao longo do mês, nossas publicações vão abordar diferentes temas relacionados às Ciências da Terra e à Geoquímica, aproximando conceitos científicos do cotidiano e mostrando como a pesquisa contribui para compreender o planeta e as relações entre seus componentes.

Geodiversidade
A Terra apresenta uma enorme diversidade de rochas, minerais, solos, fósseis, formas de relevo e ambientes. Essa diversidade, conhecida como geodiversidade, ajuda a contar a história do planeta e está diretamente relacionada aos recursos naturais e às condições que sustentam diferentes formas de vida.

Conhecer a geodiversidade é também compreender melhor o território em que vivemos.

Minerais e recursos da Terra
Os minerais estão muito mais presentes no nosso cotidiano do que podemos imaginar. Eles fazem parte de materiais de construção, equipamentos eletrônicos, tecnologias, baterias e diversos processos industriais.

A Geoquímica contribui para investigar a composição e a distribuição dos elementos químicos na Terra, ajudando a compreender a formação, transformação e circulação dos materiais naturais.

Riscos naturais
A dinâmica da Terra também pode estar relacionada a fenômenos como erosão, deslizamentos e inundações. Compreender os processos naturais e as características do ambiente é fundamental para produzir conhecimento sobre os riscos e contribuir para estratégias de prevenção e redução de impactos.

Geoética
A ciência não está separada da sociedade. O conhecimento produzido pelas Ciências da Terra pode estar relacionado a questões como uso dos recursos minerais, água, energia, ambiente e ocupação do território.

Por isso, produzir e utilizar conhecimento científico também envolve responsabilidades. A geoética propõe justamente essa reflexão sobre as dimensões éticas, sociais e ambientais das Geociências.

Ciência e pesquisa
Todos esses temas têm algo em comum: a busca por respostas. Perguntas sobre a composição da Terra, seus processos, seus recursos e suas transformações levam à pesquisa científica. E para pesquisar é preciso encontrar informação confiável, conhecer diferentes fontes e construir conhecimento a partir delas.

É nesse percurso que a biblioteca também participa.

Na BGQ/UFF, o acervo pode ser um ponto de partida para quem deseja aprofundar uma questão, encontrar referências para uma pesquisa ou simplesmente descobrir algo novo.

🔎 E tem uma descoberta especial chegando...

Em outubro, a BGQ também participará da Agenda Acadêmica UFF 2026 com uma atividade diferente:
Caça ao Tesouro da BGQ
A proposta é transformar a biblioteca em um espaço de exploração e descoberta. Os participantes serão convidados a seguir pistas, solucionar desafios e percorrer diferentes caminhos em busca do tesouro.

Mais do que uma brincadeira, a atividade procura apresentar a biblioteca de uma maneira diferente, estimulando a curiosidade e mostrando que pesquisar também pode ser uma experiência de descoberta.

As inscrições serão divulgadas em breve no Instagram @bgquff.

📚 Fique de olho nas próximas publicações e venha descobrir o que a BGQ preparou para outubro!

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Da pesquisa ao conhecimento: encontre na BGQ

A informação científica é o ponto de partida para transformar perguntas em conhecimento

Ao longo de setembro, a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) apresentou diferentes temas relacionados às Ciências da Terra.

Falamos sobre a Amazônia como sistema geoquímico, o Cerrado e sua dinâmica hídrica, a relação entre solo, água, rochas e vida, a química da atmosfera e a camada de ozônio, a chegada da primavera e os processos que acontecem debaixo de uma árvore.

À primeira vista, esses assuntos podem parecer bastante diferentes. Mas existe algo que conecta todos eles: a busca por compreender como os diferentes componentes do planeta interagem. E, para transformar essa curiosidade em conhecimento científico, existe um caminho fundamental: a pesquisa e o acesso à informação científica.

Uma pergunta pode ser o começo de uma pesquisa

Grande parte da pesquisa científica começa com uma pergunta.

O que acontece com a água que atravessa determinado tipo de solo?

Como os elementos químicos circulam entre a vegetação, o solo e a água?

Quais processos controlam a composição dos sedimentos?

Como as transformações ambientais modificam os ciclos biogeoquímicos?

De que maneira a composição da atmosfera se relaciona com outros componentes do sistema terrestre?

Perguntas como essas podem levar a diferentes fontes de informação: livros, artigos científicos, teses, dissertações, trabalhos acadêmicos, relatórios e outros documentos. Pesquisar é também aprender a encontrar essas fontes, avaliar sua pertinência e utilizá-las na construção do conhecimento.

Os temas se conectam

Os assuntos apresentados pela BGQ durante setembro mostram justamente essa característica das Ciências da Terra.

A Amazônia, por exemplo, pode ser estudada a partir das relações entre floresta, solo, água, sedimentos e atmosfera.

O Cerrado envolve questões relacionadas à vegetação, aos solos, às águas superficiais e subterrâneas, às rochas e aos processos ambientais.

Ao observar uma árvore, podemos investigar as relações entre raízes, solo, água, minerais, matéria orgânica, microrganismos e nutrientes.

Já a atmosfera apresenta processos químicos e físicos que envolvem gases, radiação, circulação e transformações que podem ser estudadas em diferentes escalas.

Esses exemplos mostram que os sistemas naturais não funcionam de forma isolada. Os componentes da Terra estão conectados, e a pesquisa científica procura compreender essas conexões.

Onde entra a biblioteca?

É nesse ponto que a biblioteca universitária assume um papel importante. A biblioteca não é apenas o lugar onde os livros ficam armazenados. Ela também é um espaço de acesso, organização, preservação e mediação da informação científica.

Na BGQ, estudantes e pesquisadores podem encontrar materiais relacionados principalmente à Geoquímica e às áreas das Ciências da Terra, possibilitando diferentes caminhos para aprofundar uma investigação.

Uma pesquisa sobre água pode levar a estudos de hidroquímica, bacias hidrográficas, sedimentos ou processos biogeoquímicos.

Uma investigação sobre solo pode envolver mineralogia, intemperismo, erosão, matéria orgânica, nutrientes e interações entre solo e água.

Um estudo sobre atmosfera pode dialogar com química atmosférica, clima, oceanografia, ciclos biogeoquímicos e mudanças ambientais.

O acervo pode ser o ponto de partida para descobrir novas relações entre diferentes áreas do conhecimento.

O acervo também conta histórias da ciência

Os títulos registrados no acervo da BGQ apresenta uma diversidade de assuntos, por exemplo:

MOLDAN, Bedrich; CERNÝ, Jiří V. (coord.). Biogeochemistry of small catchments: a tool for environmental research. Chichester: J. Wiley & Sons, 1994.

A obra aborda a biogeoquímica de pequenas bacias hidrográficas, aproximando processos químicos, água, solo e ambiente. O inventário registra exemplar disponível.     

GIL, N. Watershed development with special reference to soil and water conservation. Roma: Food and Agriculture Organization of the United Nations, 1985.

O título permite estabelecer uma relação direta com os temas de bacias hidrográficas, solo e conservação da água, assuntos que dialogam com as discussões realizadas durante setembro.  

Para quem pesquisa as relações entre atmosfera, oceano e clima, o inventário registra:

MARSHALL, John; PLUMB, R. Alan. Atmosphere, ocean, and climate dynamics: an introductory text. Amsterdam: Elsevier, 2008. 

E para pesquisas relacionadas aos ambientes amazônicos, há títulos como:

AMAZONIAN deforestation and climate. Chichester: J. Wiley & Sons, c1996.

O inventário registra exemplar disponível dessa obra, que relaciona mudanças na cobertura florestal amazônica e questões climáticas.   

Já para quem investiga processos relacionados ao solo, encontra-se:

GUERRA, Antonio José Teixeira; SILVA, Antonio Soares da; BOTELHO, Rosangela Garrido Machado. Erosão e conservação dos solos: conceitos, temas e aplicações. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, [2012].   

Esses são apenas alguns exemplos. O catálogo da biblioteca é o caminho para descobrir outros títulos relacionados ao tema específico de cada pesquisa.

Encontrar também faz parte da pesquisa

Ter acesso a uma grande quantidade de informação não significa, por si só, encontrar aquilo que realmente precisamos.

É necessário saber utilizar palavras-chave, identificar diferentes formas de busca, localizar registros bibliográficos e compreender as informações disponíveis sobre cada obra.

O número de chamada, por exemplo, permite localizar fisicamente um livro na estante. Já uma busca por assunto ou por palavras-chave pode revelar obras que talvez não fossem encontradas apenas pelo título.

Por isso, pesquisar na biblioteca também é desenvolver estratégias para encontrar informação de maneira mais eficiente.

Da informação ao conhecimento

Uma publicação científica, um livro, uma tese ou uma dissertação não representa apenas um conjunto de páginas.

Esses documentos registram perguntas, métodos, dados, análises, interpretações e conhecimentos construídos ao longo do tempo.

Quando um pesquisador encontra uma fonte adequada para sua investigação, ele pode estabelecer conexões com outros trabalhos, identificar diferentes perspectivas, aprofundar conceitos e construir novos questionamentos.

É assim que a informação circula e participa da construção do conhecimento científico.

A pesquisa não termina quando encontramos uma informação. Muitas vezes, é justamente aí que ela começa.

Setembro termina, a pesquisa continua

Durante este mês, a BGQ procurou mostrar que a Ciência da Terra pode estar presente em lugares que fazem parte do nosso cotidiano: em uma árvore, no solo sob nossos pés, na água que circula pelo ambiente, na atmosfera que envolve o planeta ou nos grandes sistemas naturais como a Amazônia e o Cerrado.

Agora, o convite é dar o próximo passo:

transformar curiosidade em pesquisa.

🔎 Escolha um tema.

📚 Procure fontes.

🧪 Compare informações.

🌎 Faça conexões.

💡 Construa conhecimento.

Precisa encontrar bibliografia para sua pesquisa?

Conte com a BGQ. A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica está aqui para ajudar você a encontrar informação científica e continuar esse caminho da pesquisa ao conhecimento.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O que existe debaixo de uma árvore?

Muito mais do que raízes: solo, água, minerais, matéria orgânica e microrganismos fazem parte de um sistema em constante transformação

Quando olhamos para uma árvore, geralmente nossa atenção se volta para aquilo que está acima do solo: o tronco, os galhos, as folhas, as flores ou os frutos. Mas existe uma parte igualmente importante, e que muitas vezes não conseguimos enxergar.

Debaixo de uma árvore existe um ambiente complexo, onde raízes, água, minerais, matéria orgânica, nutrientes e microrganismos interagem continuamente.

Compreender essas relações é também compreender processos importantes das Ciências da Terra e da Geoquímica.

Muito mais do que raízes

O solo não é apenas o suporte físico para o crescimento das plantas. Ele é um sistema dinâmico constituído por partículas minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos.

Nesse ambiente, as raízes ocupam um papel importante. Além de absorver água e nutrientes necessários ao desenvolvimento da planta, elas modificam as condições químicas e biológicas ao seu redor e interagem com os componentes do solo.

A região imediatamente próxima às raízes, conhecida como rizosfera, apresenta intensa atividade biológica e química. Nela, raízes e microrganismos participam de processos que influenciam a disponibilidade e a transformação de diferentes elementos químicos.

Água, minerais e nutrientes

A água que circula pelo solo transporta substâncias dissolvidas e participa de diversas reações químicas.

Ao mesmo tempo, os minerais presentes no solo e nas rochas podem liberar elementos químicos por processos de intemperismo. Esses elementos podem ser incorporados pelas plantas, permanecer no solo, ser transportados pela água ou participar de novas transformações.

Assim, existe uma circulação contínua de matéria entre diferentes componentes do ambiente.

É justamente esse tipo de interação que interessa à Geoquímica: como os elementos químicos estão distribuídos, como se transformam e como circulam entre os diferentes compartimentos da Terra.

O que acontece com as folhas que caem?

Quando folhas, galhos e outros resíduos vegetais chegam ao solo, eles não simplesmente desaparecem.

A matéria orgânica passa por processos de decomposição realizados principalmente por organismos do solo, incluindo fungos e bactérias. Durante esse processo, parte dos elementos presentes no material vegetal retorna ao ambiente.

Esse mecanismo participa da ciclagem de nutrientes, conectando a vegetação ao solo e aos organismos que nele vivem.

Carbono, nitrogênio, fósforo e outros elementos podem circular entre matéria orgânica, organismos, água e componentes minerais do solo.

E os microrganismos?

Embora sejam invisíveis a olho nu, os microrganismos desempenham funções fundamentais no funcionamento do solo.

Bactérias, fungos e outros organismos participam da decomposição da matéria orgânica e de diversas transformações químicas. Essas atividades podem modificar a disponibilidade de elementos e influenciar as características químicas do ambiente próximo às raízes.

Dessa forma, uma árvore não deve ser compreendida isoladamente.

Ela está inserida em uma rede de relações que envolve organismos, solo, água, minerais e atmosfera.

Onde entra a Geoquímica?

A Geoquímica ajuda a investigar justamente essas conexões.

Ao estudar a composição química dos solos, minerais, águas e matéria orgânica, essa área das Ciências da Terra contribui para compreender como os elementos químicos circulam e se transformam no ambiente.

Uma árvore, portanto, pode ser observada a partir de diferentes perspectivas: biológica, ecológica, ambiental, geológica e geoquímica.

O que acontece sob seus galhos envolve processos que conectam a vida aos componentes físicos e químicos do planeta.

Uma árvore faz parte de um sistema

Pensar no que existe debaixo de uma árvore é uma maneira simples de perceber que os diferentes componentes da Terra estão conectados.

A vegetação retira elementos do solo, a água transporta substâncias, os minerais sofrem transformações, os microrganismos decompõem matéria orgânica e os resíduos vegetais devolvem elementos ao ambiente.

Nada disso acontece de maneira isolada.

Uma árvore também faz parte de um sistema geoquímico.

E onde entra a BGQ/UFF?

Para compreender esses processos, a pesquisa científica é fundamental. Livros, artigos, teses, dissertações e outros documentos científicos permitem aprofundar o conhecimento sobre solos, minerais, águas, matéria orgânica, ciclos de elementos e processos ambientais.

Na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica da UFF (BGQ/UFF), o acervo reúne literatura científica voltada principalmente à Geoquímica e a áreas relacionadas das Ciências da Terra, oferecendo fontes para estudantes e pesquisadores interessados em investigar essas conexões.

Da copa às raízes, uma árvore revela muito mais do que vemos.

Observar o que acontece sob nossos pés é também descobrir como água, minerais, matéria orgânica, nutrientes e organismos participam da dinâmica da Terra.

Ciência também está debaixo de uma árvore. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O que a Geoquímica tem a ver com a camada de ozônio?

Da composição química da atmosfera às reações que influenciam a concentração de ozônio na estratosfera

Quando pensamos em Geoquímica, é comum associarmos a área ao estudo de rochas, minerais, solos, águas e sedimentos. Mas os processos geoquímicos também acontecem em um ambiente que muitas vezes está fora do nosso campo de visão: a atmosfera.

A composição química da atmosfera é dinâmica. Os gases presentes nela participam de reações, são transportados por diferentes movimentos atmosféricos e podem sofrer transformações provocadas pela radiação solar. A camada de ozônio é um dos exemplos mais conhecidos dessa complexa interação entre química e processos atmosféricos.

O que é o ozônio?

O ozônio é uma molécula formada por três átomos de oxigênio (O₃). Embora possa ser encontrado em diferentes regiões da atmosfera, sua presença na estratosfera é especialmente importante.

Cerca de 90% do ozônio atmosférico encontra-se na estratosfera, principalmente entre aproximadamente 20 e 25 km de altitude. Nessa região está o que chamamos de camada de ozônio, uma área de maior concentração relativa de O₃.

Uma relação constante com a radiação solar

A formação e a destruição do ozônio estão relacionadas à radiação ultravioleta do Sol.

De maneira simplificada, a radiação UV pode provocar a quebra de moléculas de oxigênio (O₂), produzindo átomos de oxigênio que podem reagir com outras moléculas de O₂ e formar O₃. Ao mesmo tempo, o próprio ozônio absorve radiação ultravioleta e pode ser novamente dissociado.

Isso significa que a camada de ozônio não é uma estrutura estática: há continuamente processos de formação e destruição de moléculas de O₃. Estudos recentes mostram que essa relação fotoquímica é fundamental para compreender o comportamento do ozônio estratosférico.

Onde entra a Geoquímica?

É justamente nesse ponto que a Geoquímica encontra a química atmosférica.

A concentração de ozônio depende de uma série de processos químicos e físicos que envolvem diferentes espécies presentes na atmosfera. Ciclos envolvendo oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e halogênios, por exemplo, podem influenciar a formação e a destruição do O₃.

Além das reações químicas, transporte atmosférico, circulação, temperatura, radiação solar e aerossóis também interferem no comportamento do ozônio.

Por isso, estudar a atmosfera exige uma abordagem integrada, na qual química, física, climatologia e Ciências da Terra dialogam entre si.

A camada de ozônio e as mudanças ambientais

A história da camada de ozônio também mostra como alterações na composição química da atmosfera podem produzir efeitos em escala planetária.

Substâncias contendo cloro e bromo, utilizadas em diversos produtos industriais ao longo do século XX, contribuíram para a destruição do ozônio estratosférico. A redução dessas substâncias após a adoção do Protocolo de Montreal está associada à recuperação gradual da camada de ozônio.

Entretanto, a recuperação não significa que o tema deixou de ser objeto de pesquisa. Estudos recentes apontam que mudanças climáticas, eventos vulcânicos e outras alterações na composição atmosférica podem modificar os processos que controlam o ozônio.

Em 2024, por exemplo, pesquisadores analisaram como o material lançado na estratosfera pela erupção do vulcão Hunga Tonga–Hunga Ha'apai, em 2022, contribuiu para alterações químicas relacionadas à destruição do ozônio. O estudo estimou contribuições químicas de até 4% de destruição do ozônio em determinadas regiões de médias latitudes e até 20% sobre a Antártica, destacando a importância de eventos naturais extremos para a química estratosférica.

Atmosfera também é território das Ciências da Terra

Estudar a camada de ozônio é, portanto, estudar as relações entre matéria, energia e processos químicos que acontecem no sistema Terra.

Para a Geoquímica, a atmosfera representa mais um ambiente no qual elementos e compostos químicos circulam, transformam-se e interagem. A investigação desses processos contribui para compreender fenômenos ambientais que ultrapassam os limites entre atmosfera, hidrosfera, biosfera e geosfera.

É também um bom exemplo de como as Ciências da Terra são interdisciplinares: compreender um fenômeno atmosférico pode exigir conhecimentos de química, física, climatologia, geociências, modelagem e observação ambiental.

Para continuar pesquisando

Para quem quiser aprofundar o tema, duas referências recentes podem ser bons pontos de partida:

1. CHIPPERFIELD, Martyn P.; BEKKI, Slimane. Stratospheric ozone: depletion, recovery and new challenges. Atmospheric Chemistry and Physics, v. 24, n. 4, p. 2783-2802, 2024. DOI: 10.5194/acp-24-2783-2024. O artigo apresenta uma discussão atual sobre a destruição e recuperação do ozônio estratosférico e os novos desafios relacionados às mudanças na composição atmosférica.

2. MATCH, A.; GERBER, E. P.; FUEGLISTALER, S. Beyond self-healing: stabilizing and destabilizing photochemical adjustment of the ozone layer. Atmospheric Chemistry and Physics, v. 24, p. 10305-10322, 2024. DOI: 10.5194/acp-24-10305-2024. O estudo aborda os mecanismos fotoquímicos envolvidos na formação, destruição e ajuste do ozônio na estratosfera, discutindo inclusive como mudanças na radiação UV podem afetar esses processos.

E onde entra a BGQ/UFF?

A biblioteca universitária também participa desse processo ao possibilitar o acesso à literatura científica necessária para compreender fenômenos complexos como esses.

Na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica da UFF, livros, artigos, teses, dissertações e outros documentos relacionados à Geoquímica e às Ciências da Terra podem servir como ponto de partida para pesquisas sobre atmosfera, química ambiental, ciclos de elementos, mudanças ambientais e processos geoquímicos.

Acesse o nosso catálogo e veja as obras relacionadas a este tema, como:

FINLAYSON-PITTS, Barbara J.; PITTS, James N. Chemistry of the upper and lower atmosphere: theory, experiments and applications. San Diego, 2000. 969 p. 

📚 Número de chamada: 551.511 F512 2000

SEINFELD, John H.; PANDIS, Spyros N. Atmospheric chemistry and physics: from air pollution to climate change. 2nd ed. New Jersey: J. Wiley & Sons, c2006. 1203 p. 

📚 Número de chamada: 551.511 S461 2. ed. c2006

A camada de ozônio mostra que a Terra é um sistema integrado: até mesmo os processos que acontecem a quilômetros acima de nossas cabeças fazem parte da dinâmica química do planeta.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Cerrado: muito além da paisagem

Solo, água, rochas, microrganismos e elementos químicos revelam a complexidade de um dos mais importantes biomas brasileiros

Quando pensamos no Cerrado, é comum imaginarmos árvores retorcidas, campos, flores, veredas e uma paisagem marcada pela alternância entre períodos de chuva e seca. Entretanto, existe uma parte fundamental desse ambiente que permanece escondida aos nossos olhos: o que acontece abaixo da superfície?

Sob a vegetação existe um sistema complexo formado por solos, rochas, água subterrânea, microrganismos e matéria orgânica. Esses componentes não funcionam de maneira isolada. Eles estabelecem relações contínuas que influenciam a infiltração e o armazenamento da água, a circulação de elementos químicos e a formação e transformação dos solos.

É nesse universo que as Ciências da Terra encontram um importante campo de investigação.

Um bioma profundamente relacionado à água

O Cerrado ocupa uma posição estratégica no território brasileiro e está associado a importantes bacias hidrográficas. Sua relação com os recursos hídricos vai muito além dos rios que podemos observar na superfície.

A água da chuva pode infiltrar-se pelo solo e alcançar camadas mais profundas, contribuindo para a recarga dos sistemas de águas subterrâneas. Esse processo é influenciado por diversos fatores, entre eles as propriedades hidráulicas do solo, a geologia, o relevo, a cobertura vegetal e o uso da terra. Pesquisas sobre a recarga subterrânea no Cerrado destacam justamente a importância de compreender esses fatores para a gestão dos recursos hídricos.

Por isso, a conhecida expressão “Cerrado, berço das águas” ganha um significado mais amplo quando observamos o que ocorre no subsolo. A Embrapa, por exemplo, destaca a importância hidrogeológica do bioma e aborda a relação entre águas subterrâneas, características geológicas e funcionamento das bacias.

O que as rochas têm a ver com a água?

A água que circula pelo ambiente entra em contato com os materiais geológicos. Ao atravessar solos e rochas, pode dissolver e transportar diferentes substâncias.

Esse processo está relacionado ao intemperismo, conjunto de processos físicos e químicos que promovem a alteração das rochas na superfície terrestre. A água, portanto, não é apenas transportada pelo ambiente: ela também participa de transformações químicas e pode carregar elementos provenientes dos materiais com os quais entra em contato.

É nesse ponto que a Geoquímica oferece uma importante perspectiva de investigação.

Ao analisar a composição química de águas, solos, rochas e sedimentos, pesquisadores podem buscar respostas para perguntas como:

Quais elementos estão presentes nesses materiais?

De onde eles vieram?

Como são transportados pelo ambiente?

O que acontece com eles durante a circulação da água?

Como atividades humanas podem modificar esses processos?

O solo também é parte do sistema

O solo não é simplesmente uma camada que recobre a superfície terrestre. Ele é um sistema dinâmico, formado pela interação entre minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos.

Suas características físicas e químicas influenciam a capacidade de armazenar e movimentar água. Estudos realizados em áreas de Cerrado mostram, por exemplo, que propriedades como textura, matéria orgânica e estrutura do solo estão relacionadas à retenção e à movimentação da água.

Além disso, alterações no uso e manejo da terra podem modificar propriedades do solo e interferir nos processos relacionados à água. Por isso, compreender o solo é também compreender parte da dinâmica ambiental do Cerrado.

E os microrganismos?

Existe ainda uma dimensão que não conseguimos observar diretamente: a vida microscópica presente no solo.

Microrganismos participam da decomposição da matéria orgânica e de processos relacionados à ciclagem de nutrientes. Dessa maneira, os componentes biológicos também fazem parte das transformações químicas que ocorrem no ambiente.

Temos, então, uma verdadeira rede de relações:

rocha → solo → água → elementos químicos → microrganismos → vegetação

Mas essa sequência não é linear. Todos esses componentes interagem continuamente, formando um sistema dinâmico.

Onde entra a Geoquímica?

A Geoquímica ajuda a investigar justamente a distribuição, a circulação e as transformações dos elementos químicos na Terra.

No Cerrado, essa abordagem pode contribuir para estudos relacionados à composição de águas subterrâneas e superficiais, características químicas dos solos, intemperismo de rochas, transporte de sedimentos, ciclagem de nutrientes e possíveis alterações provocadas pelo uso da terra.

Um estudo recente sobre a dinâmica hídrica de solos de Cerrado na Serra da Canastra, por exemplo, encontrou elevada capacidade de infiltração na área analisada e relacionou esse comportamento às características do solo e à atuação de elementos da paisagem, incluindo vegetação e organismos do solo.

Outro aspecto importante é a qualidade da água subterrânea. Pesquisas demonstram que determinadas propriedades dos solos podem influenciar a vulnerabilidade desses recursos à contaminação, reforçando a importância de conhecer as características físicas e químicas do ambiente.

Estudar o Cerrado é olhar para o sistema inteiro

A conservação do Cerrado depende também da compreensão de suas conexões.

Não basta olhar somente para a vegetação ou para os rios. É preciso considerar as relações entre solo, água, rocha, atmosfera e vida, além das transformações provocadas pelas diferentes formas de ocupação do território.

Essa perspectiva interdisciplinar é justamente uma das contribuições das Ciências da Terra: compreender que uma alteração em determinado componente pode produzir efeitos em outros.

Por isso, estudar o Cerrado também é estudar as relações entre solo, água, rocha e vida.

Para continuar pesquisando

Para quem quiser aprofundar o tema, uma indicação bastante pertinente é o capítulo:

AUGUSTO, Vagney Aparecido; CAMPOS, José Eloi Guimarães. Potencial hidrogeológico do Cerrado. In: RODRIGUES, Luís Nobre (ed.). Agricultura irrigada no Cerrado: subsídios para o desenvolvimento sustentável. 2. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Embrapa, 2024. cap. 7, p. 235-277. (Acesse aqui)

A publicação aborda justamente o potencial hidrogeológico do Cerrado e ajuda a compreender o significado da expressão “berço das águas” a partir da perspectiva das águas subterrâneas e das características do território. A obra está disponível em acesso aberto pela Embrapa.

Outra leitura interessante é o artigo “Avaliação da Recarga de Águas Subterrâneas em Ambiente de Cerrado com Base em Modelagem Numérica do Fluxo em Meio Poroso Saturado” (Santos; Koide, 2016), publicado na Revista Brasileira de Recursos Hídricos. O estudo investiga os processos de recarga de águas subterrâneas e os fatores que influenciam sua distribuição no Cerrado.

E onde entra a BGQ/UFF?

Para a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF), discutir o Cerrado também é uma oportunidade de aproximar ciência e informação.

Questões envolvendo água, solos, rochas, sedimentos, minerais e elementos químicos fazem parte de diferentes campos de pesquisa relacionados à Geoquímica e às Ciências da Terra.

A biblioteca pode ser o ponto de partida para quem deseja localizar literatura científica, conhecer diferentes abordagens sobre um problema de pesquisa e aprofundar seus conhecimentos por meio de livros, artigos, teses e dissertações.

No Dia Nacional do Cerrado (11 de setembro), o convite da BGQ é para olhar além da paisagem: compreender o que existe sob nossos pés também é uma forma de entender e valorizar esse importante bioma brasileiro.

Ciência, informação e conhecimento ajudam a revelar as conexões que fazem o Cerrado funcionar.