quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Caça ao Tesouro na BGQ: aprender, explorar e descobrir na Agenda Acadêmica 2026


Como parte da programação da Agenda Acadêmica 2026 da Universidade Federal Fluminense (UFF), a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ) promove a atividade Caça ao Tesouro, uma experiência interativa que combina pesquisa bibliográfica, resolução de desafios e exploração do acervo.

A proposta busca apresentar a biblioteca para além de seu papel tradicional como espaço de consulta e empréstimo de materiais, destacando sua importância na formação acadêmica, no desenvolvimento da autonomia dos estudantes e no acesso à informação científica.

Dessa forma, a Caça ao Tesouro procura demonstrar que pesquisar envolve mais do que encontrar uma resposta: exige interpretar informações, selecionar estratégias de busca, estabelecer relações e utilizar adequadamente os recursos disponíveis.

Ao longo da atividade, os participantes serão incentivados a:

  • Conhecer o catálogo da biblioteca como instrumento de pesquisa e acesso ao acervo.
  • Compreender a relação entre os registros bibliográficos, os números de chamada e a localização física dos livros.
  • Desenvolver estratégias de busca por assunto, autor e título.
  • Explorar o acervo da BGQ e reconhecer suas possibilidades de utilização acadêmica.
  • Exercitar habilidades de interpretação, observação, associação de informações e resolução de problemas.
  • Reconhecer e valorizar as contribuições das mulheres para o desenvolvimento científico, em diálogo com a temática da Agenda Acadêmica 2026.

Como funciona a Caça ao Tesouro?

A atividade está organizada em uma sequência de desafios interligados.

A missão começa com uma pista que conduz o participante ao catálogo bibliográfico, onde deverá identificar uma obra utilizando estratégias de pesquisa. Após localizar o registro, será necessário interpretar o número de chamada e encontrar o livro correspondente nas estantes.

Em seguida, um quebra-cabeça apresenta um novo desafio de interpretação relacionado à temática científica da atividade. A resolução dessa etapa conduz a uma segunda pesquisa no catálogo, exigindo que o participante aplique novamente os conhecimentos adquiridos.

Ao final, os participantes apresentam suas descobertas à equipe da BGQ e concluem a missão em busca do tesouro.

Cada etapa foi planejada para integrar habilidades informacionais e atividades lúdicas, tornando o aprendizado progressivo e contextualizado.

Ciência, informação e protagonismo feminino

A Caça ao Tesouro também incorpora a valorização da presença feminina na ciência, incentivando a reflexão sobre a participação das mulheres na produção e na disseminação do conhecimento científico.

Ao relacionar informações bibliográficas com referências à atuação de mulheres na ciência, a atividade amplia as possibilidades de descoberta e contribui para dar visibilidade a trajetórias e contribuições científicas.

Muito além de encontrar um tesouro

Mais importante do que alcançar a etapa final é compreender o percurso realizado.

Espera-se que, ao concluir a atividade, os participantes estejam mais familiarizados com a organização do acervo, saibam realizar buscas básicas no catálogo e compreendam como utilizar o número de chamada para localizar uma publicação.

A iniciativa reforça, assim, o papel da biblioteca universitária como espaço de aprendizagem, investigação, interação e construção do conhecimento.

Afinal, na Caça ao Tesouro da BGQ, a maior descoberta pode ser aprender a encontrar a informação. 

Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica — BGQ/UFF

Agenda Acadêmica 2026

📅 Programação:

  • 26/10 — 14h às 16h (vagas esgotadas)
  • 27/10 — 10h às 12h
  • 29/10 — 14h às 16h

Encerramento das inscrições: 23 de outubro de 2026.

 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Minerais críticos: da geologia às tecnologias do cotidiano

Celulares, computadores, baterias, veículos elétricos e turbinas eólicas fazem parte do nosso cotidiano. Entretanto, muitas dessas tecnologias dependem de recursos minerais cuja origem está relacionada a processos geológicos que ocorreram ao longo de milhões de anos.

Entre esses recursos destacam-se as matérias-primas minerais consideradas críticas devido à sua importância econômica e tecnológica e aos riscos associados ao seu fornecimento.

Seu estudo evidencia a importância das Ciências da Terra, especialmente da Geologia, da Geoquímica e da Mineralogia, para compreender a origem, a distribuição e o aproveitamento responsável dos recursos naturais.

O que são minerais críticos?

Os minerais críticos são matérias-primas de elevada importância econômica ou tecnológica, cujo fornecimento pode estar sujeito a riscos de interrupção.

Essa classificação não significa necessariamente que sejam raros na natureza. A criticidade pode estar associada à concentração da produção em poucos países, às dificuldades de extração e processamento ou à crescente demanda industrial.

Entre os materiais frequentemente classificados como críticos estão o lítio, o cobalto, o níquel, a grafita, o tântalo e diversos elementos do grupo das terras raras.

É importante distinguir que alguns desses nomes representam elementos químicos, como o lítio e o cobalto, enquanto outros correspondem a minerais, como a grafita.

Da formação geológica às aplicações tecnológicas

A formação e a concentração desses recursos dependem de processos geológicos, como a cristalização de magmas, a circulação de fluidos hidrotermais, o metamorfismo e a sedimentação.

O espodumênio, por exemplo, é um mineral portador de lítio que pode ocorrer em pegmatitos graníticos. Já minerais como a monazita e a bastnasita podem concentrar elementos de terras raras.

A Geoquímica contribui para investigar esses depósitos por meio de análises químicas, estudos mineralógicos e isotópicos, permitindo compreender a distribuição dos elementos e identificar áreas com potencial mineral.

Esses conhecimentos estão diretamente relacionados a diversas tecnologias:

  • Eletrônicos: índio, gálio e tântalo são utilizados em determinados componentes eletrônicos. Entre as terras raras, o neodímio é empregado em ímãs permanentes, enquanto európio, térbio e ítrio apresentam aplicações em materiais luminescentes utilizados em determinadas tecnologias de telas e iluminação.

  • Baterias: lítio, grafita, níquel, cobalto e manganês participam de diferentes tecnologias de armazenamento de energia, conforme sua composição.

  • Energia eólica: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são utilizados em ímãs permanentes de determinados geradores.

  • Veículos elétricos: diferentes materiais críticos podem integrar baterias e motores, dependendo da tecnologia empregada.

Nem todos os equipamentos utilizam os mesmos elementos. As baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), por exemplo, dispensam níquel e cobalto em seus materiais ativos.

Terras raras: elementos estratégicos

As terras raras constituem um grupo de 17 elementos químicos, formado pelos 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio.

Apesar da denominação, vários desses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre. A dificuldade está, frequentemente, na identificação de depósitos economicamente aproveitáveis e nos processos de separação e purificação.

Neodímio e praseodímio destacam-se pela fabricação de ímãs permanentes, enquanto disprósio e térbio podem contribuir para melhorar seu desempenho em temperaturas elevadas.

Essas características tornam determinados elementos de terras raras relevantes para tecnologias de geração de energia e transporte elétrico.

O Brasil e os desafios ambientais

O Brasil apresenta diversidade geológica e recursos minerais relevantes, incluindo lítio, níquel, grafita, nióbio e elementos de terras raras.

A pesquisa geológica e geoquímica é fundamental para ampliar o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para estratégias de aproveitamento mineral.

Entretanto, o aumento da demanda por matérias-primas utilizadas em tecnologias energéticas também apresenta desafios ambientais.

Dependendo das características do empreendimento, a extração e o processamento mineral podem envolver consumo de água e energia, alterações na paisagem e geração de rejeitos.

Nesse contexto, a Geoquímica Ambiental desempenha papel importante na investigação da mobilidade de elementos químicos, na avaliação de possíveis contaminantes e no monitoramento dos impactos da mineração.

A reciclagem de baterias e equipamentos eletrônicos, a recuperação de materiais e o desenvolvimento de processos produtivos mais eficientes também são estratégias importantes para reduzir impactos e fortalecer a economia circular.

Considerações finais

Os minerais críticos demonstram como os processos geológicos estão diretamente relacionados às transformações tecnológicas da sociedade.

Compreender sua origem, distribuição e utilização é essencial para desenvolver estratégias que conciliem inovação, aproveitamento dos recursos minerais e responsabilidade socioambiental.

Nesse cenário, a produção e a disseminação do conhecimento científico são fundamentais.

A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica da Universidade Federal Fluminense (BGQ/UFF) contribui para o acesso à informação especializada, apoiando atividades de ensino e pesquisa nas Ciências da Terra e áreas relacionadas.

Referências para aprofundamento:

AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO (ANM). Minerais Críticos e Estratégicos. Disponível em: https://www.gov.br/anm/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/minerais-criticos-e-estrategicos/. Acesso em: 19 out. 2026.

UNITED STATES GEOLOGICAL SURVEY (USGS). Mineral-deposit model for lithium-cesium-tantalum pegmatites. 2017. Disponível em: https://www.usgs.gov/publications/mineral-deposit-model-lithium-cesium-tantalum-pegmatites. Acesso em: 19 out. 2026.

UNITED STATES GEOLOGICAL SURVEY (USGS). Rare Earths Statistics and Information. Disponível em: https://www.usgs.gov/centers/national-minerals-information-center/rare-earths-statistics-and-information
. Acesso em: 19 out. 2026.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). Global Critical Minerals Outlook 2025. Paris: IEA, 2025. Disponível em: https://www.iea.org/reports/global-critical-minerals-outlook-2025
. Acesso em: 19 out. 2026.

U.S. DEPARTMENT OF ENERGY (DOE). Critical Materials Assessment. 2023. Disponível em: https://www.energy.gov/cmei/ammto/articles/2023-doe-critical-materials-assessment. 
Acesso em: 19 out. 2026.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). Global EV Outlook 2026 — Electric Vehicle Batteries. Paris: IEA, 2026. Disponível em: https://www.iea.org/reports/global-ev-outlook-2026/electric-vehicle-batteries. Acesso em: 19 out. 2026.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Geoética: a responsabilidade científica nas relações entre sociedade e planeta

 


15 de outubro de 2026 — Dia Internacional da Geoética

As Ciências da Terra desempenham um papel fundamental na compreensão dos processos físicos, químicos, geológicos e ambientais que estruturam e transformam o planeta. Por meio da pesquisa científica, é possível investigar a dinâmica dos recursos hídricos, a composição de solos e sedimentos, a formação de depósitos minerais, as mudanças climáticas e os processos que influenciam a estabilidade dos ambientes naturais.

Entretanto, o conhecimento científico não está dissociado da sociedade. Os resultados das pesquisas podem orientar políticas públicas, fundamentar atividades econômicas, subsidiar decisões ambientais e influenciar diretamente a qualidade de vida das populações.

Nesse contexto, surge uma questão fundamental: quais são as responsabilidades éticas envolvidas na produção, na interpretação, na comunicação e na aplicação do conhecimento sobre a Terra?

É a partir dessa reflexão que a Geoética se consolida como um campo de estudo e discussão sobre os valores que orientam a atuação científica e profissional nas Geociências.

O que é Geoética?

A Geoética compreende o estudo e a reflexão sobre os valores éticos que devem orientar comportamentos e práticas nas relações entre as atividades humanas e o sistema Terra.

Segundo a International Association for Promoting Geoethics (IAPG), seu campo de atuação abrange as implicações éticas, sociais e culturais do conhecimento geocientífico, incluindo pesquisa, ensino, prática profissional e comunicação científica.

Sua importância ultrapassa o cumprimento de normas técnicas e profissionais. A Geoética procura estimular uma consciência crítica sobre as consequências das decisões humanas relacionadas ao ambiente, aos recursos naturais e à organização dos territórios.

Entre seus princípios estão a integridade científica, a responsabilidade social, a transparência, o respeito às pessoas, a proteção ambiental e o compromisso com as gerações futuras.

Dessa forma, a Geoética estabelece uma conexão entre diferentes áreas do conhecimento, aproximando as Geociências das Ciências Sociais, da Filosofia, da Economia e dos debates sobre sustentabilidade.

A construção do conhecimento científico e suas responsabilidades

O desenvolvimento de pesquisas em Geociências envolve diferentes procedimentos metodológicos, desde trabalhos de campo e coleta de amostras até análises laboratoriais, interpretação de dados e divulgação dos resultados.

Cada etapa apresenta responsabilidades científicas e éticas específicas.

Durante os trabalhos de campo, por exemplo, é necessário considerar a segurança das equipes, as autorizações pertinentes, os impactos ambientais da coleta de materiais e o respeito às comunidades locais.

Nos laboratórios, a confiabilidade dos resultados depende da utilização de métodos adequados, procedimentos de controle de qualidade, documentação das análises e interpretação fundamentada dos dados.

A integridade científica também exige que pesquisadores reconheçam as limitações metodológicas, comuniquem incertezas e evitem apresentar conclusões que ultrapassem as evidências disponíveis.

Esses cuidados são fundamentais porque a qualidade do conhecimento produzido influencia sua utilização em decisões ambientais, econômicas e sociais.

A transparência e a reprodutibilidade das pesquisas, respeitadas as restrições legítimas de acesso a determinados dados, contribuem para fortalecer a credibilidade da ciência e a confiança da sociedade nas instituições científicas.

A Geoética e sua importância para a Geoquímica Ambiental

A Geoquímica investiga a distribuição, a composição, a mobilidade e as transformações dos elementos químicos nos diferentes compartimentos do sistema Terra.

Na Geoquímica Ambiental, essas investigações contribuem para compreender a circulação de substâncias no ambiente, identificar fontes potenciais de contaminação e avaliar processos naturais e antrópicos que afetam a qualidade ambiental.

Estudos sobre metais potencialmente tóxicos em sedimentos, composição química das águas, transporte de contaminantes e transformações biogeoquímicas são exemplos de pesquisas com implicações socioambientais relevantes.

A perspectiva geoética está presente tanto na escolha dos procedimentos científicos quanto na interpretação e na aplicação de seus resultados.

Ao identificar concentrações elevadas de determinada substância química, por exemplo, o pesquisador precisa considerar aspectos como os níveis naturais de referência, a variabilidade espacial, a forma química dos elementos, as vias de exposição e as limitações dos métodos utilizados.

É importante reconhecer que a presença de um elemento químico em concentrações elevadas não significa, isoladamente, a existência de um risco comprovado à saúde humana. A avaliação desse risco depende de informações adicionais, incluindo toxicidade, biodisponibilidade e exposição.

A comunicação inadequada dos resultados pode produzir interpretações equivocadas, gerar preocupações desproporcionais ou minimizar problemas ambientais efetivos.

Por isso, a responsabilidade científica envolve apresentar as evidências de maneira clara, contextualizada e compatível com o conhecimento disponível.

A Geoética reforça, assim, a necessidade de uma Geoquímica comprometida não apenas com a precisão analítica, mas também com a utilização responsável das informações produzidas.

Recursos naturais, território e justiça socioambiental

O conhecimento geocientífico possui aplicações diretas no aproveitamento dos recursos minerais, na gestão dos recursos hídricos, no planejamento energético e na ocupação territorial.

Entretanto, essas atividades frequentemente envolvem interesses econômicos, demandas sociais e impactos ambientais que precisam ser considerados de maneira integrada.

A exploração de recursos minerais, por exemplo, exige avaliações técnicas sobre viabilidade, disponibilidade de materiais e possíveis alterações ambientais. Sob a perspectiva geoética, também devem ser considerados os efeitos sobre os ecossistemas, as comunidades afetadas e as condições de recuperação das áreas modificadas.

Na gestão dos recursos hídricos, informações hidrogeológicas e geoquímicas podem contribuir para identificar vulnerabilidades, avaliar processos de contaminação e orientar medidas de proteção das fontes de abastecimento.

Da mesma forma, os estudos sobre processos erosivos, movimentos de massa e dinâmica costeira oferecem subsídios para decisões relacionadas ao planejamento territorial e à redução de riscos de desastres.

Contudo, a produção de informações técnicas não elimina automaticamente os riscos nem resolve os conflitos socioambientais.

A tomada de decisões depende também de políticas públicas, mecanismos de fiscalização, participação social e consideração das desigualdades que afetam a exposição das populações aos impactos ambientais.

Nesse sentido, a Geoética valoriza a comunicação acessível e o diálogo entre pesquisadores, gestores públicos e comunidades, reconhecendo que os conhecimentos científicos devem contribuir para decisões transparentes e socialmente responsáveis.

A Declaração da Cidade do Cabo sobre Geoética

Um marco importante para o desenvolvimento internacional da Geoética foi a elaboração da Cape Town Statement on Geoethics, conhecida em português como Declaração da Cidade do Cabo sobre Geoética.

O documento foi preparado durante o 35º Congresso Geológico Internacional, realizado na África do Sul em 2016, e posteriormente aprovado pela International Association for Promoting Geoethics.

A declaração reúne princípios voltados à responsabilidade dos profissionais das Geociências, destacando a necessidade de integrar excelência científica, honestidade intelectual, proteção ambiental e compromisso com o interesse público.

Entre seus pontos centrais estão o reconhecimento das responsabilidades perante as gerações futuras, o uso responsável do conhecimento, a importância da atualização profissional e a contribuição das Geociências para o desenvolvimento sustentável.

O documento também apresenta a chamada Promessa Geoética, um compromisso voluntário que estimula profissionais e pesquisadores a refletirem sobre as implicações sociais de suas atividades.

Essas iniciativas reforçam a compreensão de que o exercício responsável da ciência depende de competências técnicas e de uma postura ética permanente.

Dia Internacional da Geoética: a celebração de 2026

O Dia Internacional da Geoética foi instituído pela IAPG em 2017, com o propósito de ampliar a conscientização sobre as dimensões éticas, sociais e culturais das Geociências.

Em 15 de outubro de 2026, a data chega à sua décima edição com o tema internacional Bridging Disciplines, Connecting Responsibilities, que pode ser traduzido como “Conectando disciplinas, articulando responsabilidades”.

A proposta destaca a importância da colaboração entre as Geociências, as Ciências Humanas, as Ciências Sociais, a educação, a gestão pública e as comunidades locais.

Essa abordagem reconhece que desafios como mudanças climáticas, degradação ambiental, desigualdades socioambientais e gestão sustentável dos recursos naturais não podem ser adequadamente enfrentados a partir de uma única área do conhecimento.

A integração de diferentes perspectivas contribui para ampliar a compreensão dos problemas e fortalecer a construção de respostas coletivas.

No âmbito universitário, essa reflexão também evidencia a importância da formação ética dos estudantes, da interdisciplinaridade e da divulgação científica na aproximação entre a universidade e a sociedade.

Conclusão

A Geoética amplia a compreensão sobre o papel das Ciências da Terra ao demonstrar que o desenvolvimento científico não se limita à produção de dados, modelos e interpretações sobre o planeta.

O conhecimento científico possui consequências que ultrapassam os laboratórios, as instituições acadêmicas e os espaços de pesquisa.

Suas aplicações podem influenciar decisões sobre recursos naturais, proteção ambiental, desenvolvimento econômico, planejamento territorial e segurança das populações.

Por essa razão, a excelência científica deve estar acompanhada de integridade, transparência, responsabilidade social e compromisso ambiental.

O Dia Internacional da Geoética representa uma oportunidade para refletir sobre essas responsabilidades e fortalecer uma cultura científica comprometida com a sociedade e com o futuro do planeta.

Fazer ciência também significa reconhecer os impactos do conhecimento produzido e assumir responsabilidades diante deles.


Referências

DI CAPUA, Giuseppe; PEPOLONI, Silvia; BOBROWSKY, Peter T. The Cape Town Statement on Geoethics. Annals of Geophysics, v. 60, 2017. DOI: https://doi.org/10.4401/ag-7553.

INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR PROMOTING GEOETHICS (IAPG). Definition of Geoethics. Disponível em: https://www.geoethics.org/definition.

INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR PROMOTING GEOETHICS (IAPG). Cape Town Statement on Geoethics. Disponível em: https://www.geoethics.org/ctsg.

INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR PROMOTING GEOETHICS (IAPG). International Geoethics Day 2026. Disponível em: https://www.geoethics.org/geoethics-day.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Ciência que ajuda a entender os riscos



 

A redução do risco de desastres passa, necessariamente, pela produção e pela circulação do conhecimento científico. Compreender o território é um passo fundamental para identificar processos naturais, vulnerabilidades e riscos, permitindo uma leitura mais ampla das dinâmicas que atuam sobre a paisagem e sobre a vida em sociedade.

Fenômenos como enchentes, deslizamentos e erosão fazem parte da dinâmica natural da Terra e modificam continuamente o ambiente. No entanto, seus efeitos podem se tornar mais severos quando associados à ocupação inadequada do território, à supressão da vegetação, à impermeabilização do solo e a outras transformações ambientais. Por isso, o estudo do relevo, do solo, das águas e das condições ambientais é essencial para reconhecer áreas suscetíveis e compreender as ameaças presentes em diferentes contextos.

Nesse cenário, a Ciência da Terra exerce papel central. Pesquisas em Geologia, Geoquímica e demais Geociências contribuem para investigar processos ambientais, identificar alterações no território, produzir diagnósticos e gerar informações que subsidiem o planejamento e a prevenção de desastres. O conhecimento científico, portanto, não apenas amplia a compreensão sobre o funcionamento do ambiente, mas também fortalece a tomada de decisões e o desenvolvimento de estratégias mais seguras para a ocupação do espaço.

Mais do que explicar fenômenos, a ciência oferece instrumentos para a prevenção. Quando o conhecimento é compartilhado, ele se transforma em ferramenta de conscientização, planejamento e redução de vulnerabilidades. Assim, pesquisar, conhecer e compreender o território também é uma forma de prevenir.

Informação científica também é prevenção.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Caça ao Tesouro da BGQ: uma aventura pelos caminhos da informação

 


🎯 Você já imaginou transformar uma visita à biblioteca em uma aventura?

Durante a Agenda Acadêmica UFF 2026, a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) convida a comunidade acadêmica para participar de uma atividade diferente: a Caça ao Tesouro da BGQ — desvendando os caminhos da informação.

A proposta é explorar a biblioteca de uma maneira lúdica e interativa, utilizando pistas, desafios e estratégias de busca para percorrer diferentes caminhos até chegar ao tão esperado tesouro.

🔎 Uma biblioteca também pode ser um espaço de descobertas!

Quando pensamos em uma biblioteca universitária, é comum lembrarmos imediatamente de livros, estantes, computadores e bases de dados. Mas uma biblioteca também é um espaço de descoberta, investigação e construção do conhecimento.

Pesquisar envolve fazer perguntas, identificar informações, selecionar fontes, estabelecer conexões e encontrar respostas. Muitas vezes, o caminho até uma informação não é imediato: é preciso observar pistas, experimentar diferentes estratégias e tentar novos caminhos.

É justamente essa ideia que inspira a Caça ao Tesouro da BGQ.

Ao longo da atividade, os participantes serão convidados a utilizar diferentes recursos e habilidades relacionados à busca e recuperação da informação, descobrindo que os caminhos para encontrar uma resposta podem ser tão interessantes quanto a própria descoberta.

🔎 Do catálogo à estante!

Uma das propostas da atividade é aproximar os participantes de recursos que fazem parte da rotina de uma biblioteca universitária. Saber utilizar o catálogo, compreender as informações de uma referência e localizar uma obra na estante são habilidades importantes para quem realiza pesquisas acadêmicas.

Na Caça ao Tesouro, esses procedimentos ganham uma nova dimensão: tornam-se pistas para solucionar desafios.

Assim, uma busca que normalmente faria parte da rotina de pesquisa passa a ser também uma experiência de exploração.

 🔎 Informação, estratégia e trabalho em equipe!

Além da busca no catálogo e da localização de materiais, a atividade contará com outros desafios preparados pela equipe da BGQ.

A ideia é estimular a atenção, o raciocínio, a colaboração e a capacidade de encontrar soluções a partir das pistas disponíveis.

Mais do que descobrir um objeto ou chegar a um determinado ponto da biblioteca, o verdadeiro desafio será descobrir os caminhos que levam à informação.

E, nesse percurso, cada pista pode representar uma nova pergunta:
  • Onde procurar?

  • O que observar?

  • Qual informação pode ajudar?

  • Qual caminho seguir?

Essas são perguntas que também fazem parte do processo de pesquisa científica.

📚 Uma atividade para descobrir a biblioteca:

A Caça ao Tesouro também é uma oportunidade para apresentar a BGQ/UFF sob uma perspectiva diferente.

Especializada em Geoquímica, a biblioteca oferece recursos de informação que apoiam as atividades acadêmicas, científicas e de pesquisa. Seu acervo reúne diferentes tipos de materiais que podem auxiliar estudantes, pesquisadores, docentes e demais interessados na busca por conhecimento relacionado à Geoquímica e às Ciências da Terra. 

Por isso, a atividade propõe uma aproximação entre biblioteca, informação e descoberta. Afinal, pesquisar também é uma forma de explorar.

🧩 Quando será a Caça ao Tesouro?

A atividade será realizada presencialmente na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica — BGQ/UFF, em três horários:

 

📅 26 de outubro de 2026
⏰ 14h às 16h

https://www.agendaacademica.uff.br/inscricao/?id=17670 

📅 27 de outubro de 2026
⏰ 10h às 12h

https://www.agendaacademica.uff.br/inscricao/?id=17696

📅 29 de outubro de 2026
⏰ 14h às 16h

https://www.agendaacademica.uff.br/inscricao/?id=17697 

 

📝 As inscrições estarão abertas até 23 de outubro de 2026.

Os interessados devem realizar a inscrição pelo formulário da atividade na Agenda Acadêmica UFF 2026 e escolher a data de participação.

🌎 Descobrir também é aprender.

A Caça ao Tesouro faz parte da programação de outubro da BGQ, que neste ano traz como tema “Outubro na BGQ: a Terra em foco”.

Ao longo do mês, as publicações da biblioteca abordam temas relacionados à geodiversidade, minerais, riscos naturais, geoética, ciência e pesquisa.

A atividade da Agenda Acadêmica amplia essa proposta: se nas publicações buscamos descobrir mais sobre a Terra, na Caça ao Tesouro o convite é para descobrir mais sobre os caminhos da informação.

Porque toda pesquisa começa com uma pergunta...

E toda descoberta pode começar com uma pista. 🔎




terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dia Internacional da Geodiversidade: conheça a diversidade natural da Terra

Você já parou para observar a variedade de formas, materiais e paisagens que compõem o nosso planeta? As rochas que encontramos em uma montanha, os minerais presentes no subsolo, os diferentes tipos de solo, os rios, lagos e oceanos, os fósseis que registram formas de vida do passado e as inúmeras paisagens que observamos são exemplos de elementos que fazem parte da geodiversidade.

A geodiversidade corresponde à variedade de componentes e processos que constituem a parte não viva da natureza. Ela está presente no nosso cotidiano e é fundamental para compreender a história e o funcionamento da Terra.

🪨 O que faz parte da geodiversidade?

A diversidade geológica do planeta pode ser observada em diferentes elementos, entre eles:

  • Rochas, formadas por diferentes processos geológicos e encontradas em ambientes diversos;
  • Minerais, componentes fundamentais das rochas e importantes para inúmeras atividades humanas;
  • Solos, resultado da interação entre materiais geológicos, clima, organismos, relevo e tempo;
  • Águas, presentes em rios, lagos, aquíferos, mares e oceanos;
  • Fósseis, registros de organismos e ambientes do passado geológico;
  • Paisagens, que refletem a atuação de processos geológicos ao longo de milhões de anos.

Esses elementos não existem de forma isolada. Eles estão constantemente relacionados e são resultado de processos que acontecem na superfície e no interior da Terra.

🔬 A importância da Ciência da Terra

É nesse contexto que as Ciências da Terra desempenham um papel fundamental. Por meio da Geologia e de outras áreas das Geociências, é possível investigar como os materiais e as paisagens se formam, como se transformam ao longo do tempo e de que maneira diferentes processos naturais interagem.

Estudar a geodiversidade também significa compreender melhor a história do planeta, seus recursos naturais, suas paisagens e os processos que continuam modificando a Terra atualmente.

Além do seu valor científico, a geodiversidade possui importância ambiental, cultural, educacional e social. Conhecê-la é um passo importante para reconhecer e valorizar o patrimônio natural e compreender a necessidade de sua conservação.

📚 Quer descobrir mais?

Para quem deseja aprofundar seus conhecimentos sobre Geologia, Geociências e a história da Terra, a Biblioteca de Geociências da Universidade Federal Fluminense (BGQ/UFF) é um importante espaço de pesquisa e acesso ao conhecimento.

🔎 Pesquise no acervo da BGQ/UFF e descubra livros, trabalhos e outros materiais que podem ajudar você a conhecer ainda mais sobre a geodiversidade e as Ciências da Terra.

🌎 Conhecer a geodiversidade é também conhecer a história do planeta em que vivemos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Outubro na BGQ: a Terra em foco

Outubro chega à Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) com um convite: olhar para a Terra, fazer perguntas e descobrir novos caminhos para o conhecimento.

Ao longo do mês, nossas publicações vão abordar diferentes temas relacionados às Ciências da Terra e à Geoquímica, aproximando conceitos científicos do cotidiano e mostrando como a pesquisa contribui para compreender o planeta e as relações entre seus componentes.

Geodiversidade
A Terra apresenta uma enorme diversidade de rochas, minerais, solos, fósseis, formas de relevo e ambientes. Essa diversidade, conhecida como geodiversidade, ajuda a contar a história do planeta e está diretamente relacionada aos recursos naturais e às condições que sustentam diferentes formas de vida.

Conhecer a geodiversidade é também compreender melhor o território em que vivemos.

Minerais e recursos da Terra
Os minerais estão muito mais presentes no nosso cotidiano do que podemos imaginar. Eles fazem parte de materiais de construção, equipamentos eletrônicos, tecnologias, baterias e diversos processos industriais.

A Geoquímica contribui para investigar a composição e a distribuição dos elementos químicos na Terra, ajudando a compreender a formação, transformação e circulação dos materiais naturais.

Riscos naturais
A dinâmica da Terra também pode estar relacionada a fenômenos como erosão, deslizamentos e inundações. Compreender os processos naturais e as características do ambiente é fundamental para produzir conhecimento sobre os riscos e contribuir para estratégias de prevenção e redução de impactos.

Geoética
A ciência não está separada da sociedade. O conhecimento produzido pelas Ciências da Terra pode estar relacionado a questões como uso dos recursos minerais, água, energia, ambiente e ocupação do território.

Por isso, produzir e utilizar conhecimento científico também envolve responsabilidades. A geoética propõe justamente essa reflexão sobre as dimensões éticas, sociais e ambientais das Geociências.

Ciência e pesquisa
Todos esses temas têm algo em comum: a busca por respostas. Perguntas sobre a composição da Terra, seus processos, seus recursos e suas transformações levam à pesquisa científica. E para pesquisar é preciso encontrar informação confiável, conhecer diferentes fontes e construir conhecimento a partir delas.

É nesse percurso que a biblioteca também participa.

Na BGQ/UFF, o acervo pode ser um ponto de partida para quem deseja aprofundar uma questão, encontrar referências para uma pesquisa ou simplesmente descobrir algo novo.

🔎 E tem uma descoberta especial chegando...

Em outubro, a BGQ também participará da Agenda Acadêmica UFF 2026 com uma atividade diferente:
Caça ao Tesouro da BGQ
A proposta é transformar a biblioteca em um espaço de exploração e descoberta. Os participantes serão convidados a seguir pistas, solucionar desafios e percorrer diferentes caminhos em busca do tesouro.

Mais do que uma brincadeira, a atividade procura apresentar a biblioteca de uma maneira diferente, estimulando a curiosidade e mostrando que pesquisar também pode ser uma experiência de descoberta.

As inscrições serão divulgadas em breve no Instagram @bgquff.

📚 Fique de olho nas próximas publicações e venha descobrir o que a BGQ preparou para outubro!