Celulares, computadores, baterias, veículos elétricos e turbinas eólicas fazem parte do nosso cotidiano. Entretanto, muitas dessas tecnologias dependem de recursos minerais cuja origem está relacionada a processos geológicos que ocorreram ao longo de milhões de anos.
Entre esses recursos destacam-se as matérias-primas minerais consideradas críticas devido à sua importância econômica e tecnológica e aos riscos associados ao seu fornecimento.
Seu estudo evidencia a importância das Ciências da Terra, especialmente da Geologia, da Geoquímica e da Mineralogia, para compreender a origem, a distribuição e o aproveitamento responsável dos recursos naturais.
O que são minerais críticos?
Os minerais críticos são matérias-primas de elevada importância econômica ou tecnológica, cujo fornecimento pode estar sujeito a riscos de interrupção.
Essa classificação não significa necessariamente que sejam raros na natureza. A criticidade pode estar associada à concentração da produção em poucos países, às dificuldades de extração e processamento ou à crescente demanda industrial.
Entre os materiais frequentemente classificados como críticos estão o lítio, o cobalto, o níquel, a grafita, o tântalo e diversos elementos do grupo das terras raras.
É importante distinguir que alguns desses nomes representam elementos químicos, como o lítio e o cobalto, enquanto outros correspondem a minerais, como a grafita.
Da formação geológica às aplicações tecnológicas
A formação e a concentração desses recursos dependem de processos geológicos, como a cristalização de magmas, a circulação de fluidos hidrotermais, o metamorfismo e a sedimentação.
O espodumênio, por exemplo, é um mineral portador de lítio que pode ocorrer em pegmatitos graníticos. Já minerais como a monazita e a bastnasita podem concentrar elementos de terras raras.
A Geoquímica contribui para investigar esses depósitos por meio de análises químicas, estudos mineralógicos e isotópicos, permitindo compreender a distribuição dos elementos e identificar áreas com potencial mineral.
Esses conhecimentos estão diretamente relacionados a diversas tecnologias:
Eletrônicos: índio, gálio e tântalo são utilizados em determinados componentes eletrônicos. Entre as terras raras, o neodímio é empregado em ímãs permanentes, enquanto európio, térbio e ítrio apresentam aplicações em materiais luminescentes utilizados em determinadas tecnologias de telas e iluminação.
Baterias: lítio, grafita, níquel, cobalto e manganês participam de diferentes tecnologias de armazenamento de energia, conforme sua composição.
Energia eólica: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são utilizados em ímãs permanentes de determinados geradores.
Veículos elétricos: diferentes materiais críticos podem integrar baterias e motores, dependendo da tecnologia empregada.
Nem todos os equipamentos utilizam os mesmos elementos. As baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), por exemplo, dispensam níquel e cobalto em seus materiais ativos.
Terras raras: elementos estratégicos
As terras raras constituem um grupo de 17 elementos químicos, formado pelos 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio.
Apesar da denominação, vários desses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre. A dificuldade está, frequentemente, na identificação de depósitos economicamente aproveitáveis e nos processos de separação e purificação.
Neodímio e praseodímio destacam-se pela fabricação de ímãs permanentes, enquanto disprósio e térbio podem contribuir para melhorar seu desempenho em temperaturas elevadas.
Essas características tornam determinados elementos de terras raras relevantes para tecnologias de geração de energia e transporte elétrico.
O Brasil e os desafios ambientais
O Brasil apresenta diversidade geológica e recursos minerais relevantes, incluindo lítio, níquel, grafita, nióbio e elementos de terras raras.
A pesquisa geológica e geoquímica é fundamental para ampliar o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para estratégias de aproveitamento mineral.
Entretanto, o aumento da demanda por matérias-primas utilizadas em tecnologias energéticas também apresenta desafios ambientais.
Dependendo das características do empreendimento, a extração e o processamento mineral podem envolver consumo de água e energia, alterações na paisagem e geração de rejeitos.
Nesse contexto, a Geoquímica Ambiental desempenha papel importante na investigação da mobilidade de elementos químicos, na avaliação de possíveis contaminantes e no monitoramento dos impactos da mineração.
A reciclagem de baterias e equipamentos eletrônicos, a recuperação de materiais e o desenvolvimento de processos produtivos mais eficientes também são estratégias importantes para reduzir impactos e fortalecer a economia circular.
Considerações finais
Os minerais críticos demonstram como os processos geológicos estão diretamente relacionados às transformações tecnológicas da sociedade.
Compreender sua origem, distribuição e utilização é essencial para desenvolver estratégias que conciliem inovação, aproveitamento dos recursos minerais e responsabilidade socioambiental.
Nesse cenário, a produção e a disseminação do conhecimento científico são fundamentais.
A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica da Universidade Federal Fluminense (BGQ/UFF) contribui para o acesso à informação especializada, apoiando atividades de ensino e pesquisa nas Ciências da Terra e áreas relacionadas.
Referências para aprofundamento:
UNITED STATES GEOLOGICAL SURVEY (USGS). Rare Earths Statistics and Information. Disponível em: https://www.usgs.gov/centers/national-minerals-information-center/rare-earths-statistics-and-information. Acesso em: 19 out. 2026.
INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). Global Critical Minerals Outlook 2025. Paris: IEA, 2025. Disponível em: https://www.iea.org/reports/global-critical-minerals-outlook-2025. Acesso em: 19 out. 2026.
U.S. DEPARTMENT OF ENERGY (DOE). Critical Materials Assessment. 2023. Disponível em: https://www.energy.gov/cmei/ammto/articles/2023-doe-critical-materials-assessment. Acesso em: 19 out. 2026.





