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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Cerrado: muito além da paisagem

Solo, água, rochas, microrganismos e elementos químicos revelam a complexidade de um dos mais importantes biomas brasileiros

Quando pensamos no Cerrado, é comum imaginarmos árvores retorcidas, campos, flores, veredas e uma paisagem marcada pela alternância entre períodos de chuva e seca. Entretanto, existe uma parte fundamental desse ambiente que permanece escondida aos nossos olhos: o que acontece abaixo da superfície?

Sob a vegetação existe um sistema complexo formado por solos, rochas, água subterrânea, microrganismos e matéria orgânica. Esses componentes não funcionam de maneira isolada. Eles estabelecem relações contínuas que influenciam a infiltração e o armazenamento da água, a circulação de elementos químicos e a formação e transformação dos solos.

É nesse universo que as Ciências da Terra encontram um importante campo de investigação.

Um bioma profundamente relacionado à água

O Cerrado ocupa uma posição estratégica no território brasileiro e está associado a importantes bacias hidrográficas. Sua relação com os recursos hídricos vai muito além dos rios que podemos observar na superfície.

A água da chuva pode infiltrar-se pelo solo e alcançar camadas mais profundas, contribuindo para a recarga dos sistemas de águas subterrâneas. Esse processo é influenciado por diversos fatores, entre eles as propriedades hidráulicas do solo, a geologia, o relevo, a cobertura vegetal e o uso da terra. Pesquisas sobre a recarga subterrânea no Cerrado destacam justamente a importância de compreender esses fatores para a gestão dos recursos hídricos.

Por isso, a conhecida expressão “Cerrado, berço das águas” ganha um significado mais amplo quando observamos o que ocorre no subsolo. A Embrapa, por exemplo, destaca a importância hidrogeológica do bioma e aborda a relação entre águas subterrâneas, características geológicas e funcionamento das bacias.

O que as rochas têm a ver com a água?

A água que circula pelo ambiente entra em contato com os materiais geológicos. Ao atravessar solos e rochas, pode dissolver e transportar diferentes substâncias.

Esse processo está relacionado ao intemperismo, conjunto de processos físicos e químicos que promovem a alteração das rochas na superfície terrestre. A água, portanto, não é apenas transportada pelo ambiente: ela também participa de transformações químicas e pode carregar elementos provenientes dos materiais com os quais entra em contato.

É nesse ponto que a Geoquímica oferece uma importante perspectiva de investigação.

Ao analisar a composição química de águas, solos, rochas e sedimentos, pesquisadores podem buscar respostas para perguntas como:

Quais elementos estão presentes nesses materiais?

De onde eles vieram?

Como são transportados pelo ambiente?

O que acontece com eles durante a circulação da água?

Como atividades humanas podem modificar esses processos?

O solo também é parte do sistema

O solo não é simplesmente uma camada que recobre a superfície terrestre. Ele é um sistema dinâmico, formado pela interação entre minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos.

Suas características físicas e químicas influenciam a capacidade de armazenar e movimentar água. Estudos realizados em áreas de Cerrado mostram, por exemplo, que propriedades como textura, matéria orgânica e estrutura do solo estão relacionadas à retenção e à movimentação da água.

Além disso, alterações no uso e manejo da terra podem modificar propriedades do solo e interferir nos processos relacionados à água. Por isso, compreender o solo é também compreender parte da dinâmica ambiental do Cerrado.

E os microrganismos?

Existe ainda uma dimensão que não conseguimos observar diretamente: a vida microscópica presente no solo.

Microrganismos participam da decomposição da matéria orgânica e de processos relacionados à ciclagem de nutrientes. Dessa maneira, os componentes biológicos também fazem parte das transformações químicas que ocorrem no ambiente.

Temos, então, uma verdadeira rede de relações:

rocha → solo → água → elementos químicos → microrganismos → vegetação

Mas essa sequência não é linear. Todos esses componentes interagem continuamente, formando um sistema dinâmico.

Onde entra a Geoquímica?

A Geoquímica ajuda a investigar justamente a distribuição, a circulação e as transformações dos elementos químicos na Terra.

No Cerrado, essa abordagem pode contribuir para estudos relacionados à composição de águas subterrâneas e superficiais, características químicas dos solos, intemperismo de rochas, transporte de sedimentos, ciclagem de nutrientes e possíveis alterações provocadas pelo uso da terra.

Um estudo recente sobre a dinâmica hídrica de solos de Cerrado na Serra da Canastra, por exemplo, encontrou elevada capacidade de infiltração na área analisada e relacionou esse comportamento às características do solo e à atuação de elementos da paisagem, incluindo vegetação e organismos do solo.

Outro aspecto importante é a qualidade da água subterrânea. Pesquisas demonstram que determinadas propriedades dos solos podem influenciar a vulnerabilidade desses recursos à contaminação, reforçando a importância de conhecer as características físicas e químicas do ambiente.

Estudar o Cerrado é olhar para o sistema inteiro

A conservação do Cerrado depende também da compreensão de suas conexões.

Não basta olhar somente para a vegetação ou para os rios. É preciso considerar as relações entre solo, água, rocha, atmosfera e vida, além das transformações provocadas pelas diferentes formas de ocupação do território.

Essa perspectiva interdisciplinar é justamente uma das contribuições das Ciências da Terra: compreender que uma alteração em determinado componente pode produzir efeitos em outros.

Por isso, estudar o Cerrado também é estudar as relações entre solo, água, rocha e vida.

Para continuar pesquisando

Para quem quiser aprofundar o tema, uma indicação bastante pertinente é o capítulo:

AUGUSTO, Vagney Aparecido; CAMPOS, José Eloi Guimarães. Potencial hidrogeológico do Cerrado. In: RODRIGUES, Luís Nobre (ed.). Agricultura irrigada no Cerrado: subsídios para o desenvolvimento sustentável. 2. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Embrapa, 2024. cap. 7, p. 235-277. (Acesse aqui)

A publicação aborda justamente o potencial hidrogeológico do Cerrado e ajuda a compreender o significado da expressão “berço das águas” a partir da perspectiva das águas subterrâneas e das características do território. A obra está disponível em acesso aberto pela Embrapa.

Outra leitura interessante é o artigo “Avaliação da Recarga de Águas Subterrâneas em Ambiente de Cerrado com Base em Modelagem Numérica do Fluxo em Meio Poroso Saturado” (Santos; Koide, 2016), publicado na Revista Brasileira de Recursos Hídricos. O estudo investiga os processos de recarga de águas subterrâneas e os fatores que influenciam sua distribuição no Cerrado.

E onde entra a BGQ/UFF?

Para a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF), discutir o Cerrado também é uma oportunidade de aproximar ciência e informação.

Questões envolvendo água, solos, rochas, sedimentos, minerais e elementos químicos fazem parte de diferentes campos de pesquisa relacionados à Geoquímica e às Ciências da Terra.

A biblioteca pode ser o ponto de partida para quem deseja localizar literatura científica, conhecer diferentes abordagens sobre um problema de pesquisa e aprofundar seus conhecimentos por meio de livros, artigos, teses e dissertações.

No Dia Nacional do Cerrado (11 de setembro), o convite da BGQ é para olhar além da paisagem: compreender o que existe sob nossos pés também é uma forma de entender e valorizar esse importante bioma brasileiro.

Ciência, informação e conhecimento ajudam a revelar as conexões que fazem o Cerrado funcionar.


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Você já sabe em que periódico publicar na área de Geoquímica???

Confira alguns dos periódicos das publicações do Programa de Pós-Graduação em Geoquímica em 2020.

Aqui você encontra uma lista completa dos títulos dos artigos e seus periódicos, publicados em 2020.

Fonte: SUCUPIRA, ago./2021.




quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Em qual periódico publicar?

Está fazendo uma pós-graduação e não sabe onde publicar? Então acesse a plataforma SUCUPIRA da CAPES, ela é uma importante ferramenta que disponibiliza informações, processos e procedimentos que a CAPES realiza no Sistema Nacional de Pós-graduação (SNPG).


*Em relação ao novo modelo do Qualis Referência, ele ainda se encontra em fase de discussão.


Fonte: CNEN.CIN, 2021.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Erros comuns em artigos científicos

Vamos conversar sobre alguns erros comuns em artigos científicos? Se você pretende ou está escrevendo um e irá apresentá-lo a uma revista ou evento, não deve cometê-los!

❎Repetição excessiva de palavras - revise seu texto e identifique essas palavras. Use sinônimos para substituí-las;

❎ Erros gramaticais - a familiaridade com o próprio texto pode fazer com que passem despercebidos. A leitura por terceiros pode ajudar. Utilize também o corretor automático do seu editor de texto;

❎ Frases longas - dificultam a compreensão do leitor e tornam o texto cansativo. Se uma frase ocupa mais de três linhas, divida-a em sentenças menores. Prefira colocar ponto e iniciar nova frase a usar vírgulas;

❎ Linguagem pessoal - o texto deve ser escrito de forma impessoal, de preferência na terceira pessoa do singular, com verbos na voz ativa;

❎ Resumo incompleto ou confuso - o resumo é a parte mais lida de um artigo, onde o leitor decide continuar a leitura ou não. Deve informar tema, objetivos, métodos, resultados e conclusões de forma concisa;

❎ Não seguir as normas - verifique quais são as normas de formatação exigidas onde o artigo será submetido;

❎ Plágio - copiar trechos, sejam de sua autoria ou de outros autores, sem das crédito ao autor/fonte original configura plágio. Verifique suas citações diretas e indiretas e, referências.

Fique atento e qualquer dúvida entre em contato!


Fonte: Texto retirado do post "Erros comuns em artigos científicos: que devem ser evitados", criado pelo GT-Mídias Sociais CBI/UFF (2020).

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Professores da UFF em trabalho colaborativo publicam artigo sobre datação de radiocarbono


A ex-bolsista do Programa de Estágio Sênior no Exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) Kita Macario publicou um artigo na Revista Nature Scientific Reports referente ao trabalho desenvolvido na Universidade de Oxford, no Reino Unido, em 2015, como bolsista de pós-doutorado."

"Em trabalho realizado em colaboração com a pesquisadora Carla Carvalho, do Departamento de Geoquímica da UFF, no sambaqui de Manitiba, em Saquarema, no Rio de Janeiro, resultados preliminares mostraram potencial para o uso da espécie Thaumastus Achilles."


Acesse o artigo publicado. 


terça-feira, 16 de julho de 2013

Revista da Unesp: A água que ninguém vê


Leia entrevista que Waldir Duarte Costa Filho, presidente da ABAS, concedeu para edição de maio de 2013 para a revista da Unesp.