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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Outubro na BGQ: a Terra em foco

Outubro chega à Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) com um convite: olhar para a Terra, fazer perguntas e descobrir novos caminhos para o conhecimento.

Ao longo do mês, nossas publicações vão abordar diferentes temas relacionados às Ciências da Terra e à Geoquímica, aproximando conceitos científicos do cotidiano e mostrando como a pesquisa contribui para compreender o planeta e as relações entre seus componentes.

Geodiversidade
A Terra apresenta uma enorme diversidade de rochas, minerais, solos, fósseis, formas de relevo e ambientes. Essa diversidade, conhecida como geodiversidade, ajuda a contar a história do planeta e está diretamente relacionada aos recursos naturais e às condições que sustentam diferentes formas de vida.

Conhecer a geodiversidade é também compreender melhor o território em que vivemos.

Minerais e recursos da Terra
Os minerais estão muito mais presentes no nosso cotidiano do que podemos imaginar. Eles fazem parte de materiais de construção, equipamentos eletrônicos, tecnologias, baterias e diversos processos industriais.

A Geoquímica contribui para investigar a composição e a distribuição dos elementos químicos na Terra, ajudando a compreender a formação, transformação e circulação dos materiais naturais.

Riscos naturais
A dinâmica da Terra também pode estar relacionada a fenômenos como erosão, deslizamentos e inundações. Compreender os processos naturais e as características do ambiente é fundamental para produzir conhecimento sobre os riscos e contribuir para estratégias de prevenção e redução de impactos.

Geoética
A ciência não está separada da sociedade. O conhecimento produzido pelas Ciências da Terra pode estar relacionado a questões como uso dos recursos minerais, água, energia, ambiente e ocupação do território.

Por isso, produzir e utilizar conhecimento científico também envolve responsabilidades. A geoética propõe justamente essa reflexão sobre as dimensões éticas, sociais e ambientais das Geociências.

Ciência e pesquisa
Todos esses temas têm algo em comum: a busca por respostas. Perguntas sobre a composição da Terra, seus processos, seus recursos e suas transformações levam à pesquisa científica. E para pesquisar é preciso encontrar informação confiável, conhecer diferentes fontes e construir conhecimento a partir delas.

É nesse percurso que a biblioteca também participa.

Na BGQ/UFF, o acervo pode ser um ponto de partida para quem deseja aprofundar uma questão, encontrar referências para uma pesquisa ou simplesmente descobrir algo novo.

🔎 E tem uma descoberta especial chegando...

Em outubro, a BGQ também participará da Agenda Acadêmica UFF 2026 com uma atividade diferente:
Caça ao Tesouro da BGQ
A proposta é transformar a biblioteca em um espaço de exploração e descoberta. Os participantes serão convidados a seguir pistas, solucionar desafios e percorrer diferentes caminhos em busca do tesouro.

Mais do que uma brincadeira, a atividade procura apresentar a biblioteca de uma maneira diferente, estimulando a curiosidade e mostrando que pesquisar também pode ser uma experiência de descoberta.

As inscrições serão divulgadas em breve no Instagram @bgquff.

📚 Fique de olho nas próximas publicações e venha descobrir o que a BGQ preparou para outubro!

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Da pesquisa ao conhecimento: encontre na BGQ

A informação científica é o ponto de partida para transformar perguntas em conhecimento

Ao longo de setembro, a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) apresentou diferentes temas relacionados às Ciências da Terra.

Falamos sobre a Amazônia como sistema geoquímico, o Cerrado e sua dinâmica hídrica, a relação entre solo, água, rochas e vida, a química da atmosfera e a camada de ozônio, a chegada da primavera e os processos que acontecem debaixo de uma árvore.

À primeira vista, esses assuntos podem parecer bastante diferentes. Mas existe algo que conecta todos eles: a busca por compreender como os diferentes componentes do planeta interagem. E, para transformar essa curiosidade em conhecimento científico, existe um caminho fundamental: a pesquisa e o acesso à informação científica.

Uma pergunta pode ser o começo de uma pesquisa

Grande parte da pesquisa científica começa com uma pergunta.

O que acontece com a água que atravessa determinado tipo de solo?

Como os elementos químicos circulam entre a vegetação, o solo e a água?

Quais processos controlam a composição dos sedimentos?

Como as transformações ambientais modificam os ciclos biogeoquímicos?

De que maneira a composição da atmosfera se relaciona com outros componentes do sistema terrestre?

Perguntas como essas podem levar a diferentes fontes de informação: livros, artigos científicos, teses, dissertações, trabalhos acadêmicos, relatórios e outros documentos. Pesquisar é também aprender a encontrar essas fontes, avaliar sua pertinência e utilizá-las na construção do conhecimento.

Os temas se conectam

Os assuntos apresentados pela BGQ durante setembro mostram justamente essa característica das Ciências da Terra.

A Amazônia, por exemplo, pode ser estudada a partir das relações entre floresta, solo, água, sedimentos e atmosfera.

O Cerrado envolve questões relacionadas à vegetação, aos solos, às águas superficiais e subterrâneas, às rochas e aos processos ambientais.

Ao observar uma árvore, podemos investigar as relações entre raízes, solo, água, minerais, matéria orgânica, microrganismos e nutrientes.

Já a atmosfera apresenta processos químicos e físicos que envolvem gases, radiação, circulação e transformações que podem ser estudadas em diferentes escalas.

Esses exemplos mostram que os sistemas naturais não funcionam de forma isolada. Os componentes da Terra estão conectados, e a pesquisa científica procura compreender essas conexões.

Onde entra a biblioteca?

É nesse ponto que a biblioteca universitária assume um papel importante. A biblioteca não é apenas o lugar onde os livros ficam armazenados. Ela também é um espaço de acesso, organização, preservação e mediação da informação científica.

Na BGQ, estudantes e pesquisadores podem encontrar materiais relacionados principalmente à Geoquímica e às áreas das Ciências da Terra, possibilitando diferentes caminhos para aprofundar uma investigação.

Uma pesquisa sobre água pode levar a estudos de hidroquímica, bacias hidrográficas, sedimentos ou processos biogeoquímicos.

Uma investigação sobre solo pode envolver mineralogia, intemperismo, erosão, matéria orgânica, nutrientes e interações entre solo e água.

Um estudo sobre atmosfera pode dialogar com química atmosférica, clima, oceanografia, ciclos biogeoquímicos e mudanças ambientais.

O acervo pode ser o ponto de partida para descobrir novas relações entre diferentes áreas do conhecimento.

O acervo também conta histórias da ciência

Os títulos registrados no acervo da BGQ apresenta uma diversidade de assuntos, por exemplo:

MOLDAN, Bedrich; CERNÝ, Jiří V. (coord.). Biogeochemistry of small catchments: a tool for environmental research. Chichester: J. Wiley & Sons, 1994.

A obra aborda a biogeoquímica de pequenas bacias hidrográficas, aproximando processos químicos, água, solo e ambiente. O inventário registra exemplar disponível.     

GIL, N. Watershed development with special reference to soil and water conservation. Roma: Food and Agriculture Organization of the United Nations, 1985.

O título permite estabelecer uma relação direta com os temas de bacias hidrográficas, solo e conservação da água, assuntos que dialogam com as discussões realizadas durante setembro.  

Para quem pesquisa as relações entre atmosfera, oceano e clima, o inventário registra:

MARSHALL, John; PLUMB, R. Alan. Atmosphere, ocean, and climate dynamics: an introductory text. Amsterdam: Elsevier, 2008. 

E para pesquisas relacionadas aos ambientes amazônicos, há títulos como:

AMAZONIAN deforestation and climate. Chichester: J. Wiley & Sons, c1996.

O inventário registra exemplar disponível dessa obra, que relaciona mudanças na cobertura florestal amazônica e questões climáticas.   

Já para quem investiga processos relacionados ao solo, encontra-se:

GUERRA, Antonio José Teixeira; SILVA, Antonio Soares da; BOTELHO, Rosangela Garrido Machado. Erosão e conservação dos solos: conceitos, temas e aplicações. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, [2012].   

Esses são apenas alguns exemplos. O catálogo da biblioteca é o caminho para descobrir outros títulos relacionados ao tema específico de cada pesquisa.

Encontrar também faz parte da pesquisa

Ter acesso a uma grande quantidade de informação não significa, por si só, encontrar aquilo que realmente precisamos.

É necessário saber utilizar palavras-chave, identificar diferentes formas de busca, localizar registros bibliográficos e compreender as informações disponíveis sobre cada obra.

O número de chamada, por exemplo, permite localizar fisicamente um livro na estante. Já uma busca por assunto ou por palavras-chave pode revelar obras que talvez não fossem encontradas apenas pelo título.

Por isso, pesquisar na biblioteca também é desenvolver estratégias para encontrar informação de maneira mais eficiente.

Da informação ao conhecimento

Uma publicação científica, um livro, uma tese ou uma dissertação não representa apenas um conjunto de páginas.

Esses documentos registram perguntas, métodos, dados, análises, interpretações e conhecimentos construídos ao longo do tempo.

Quando um pesquisador encontra uma fonte adequada para sua investigação, ele pode estabelecer conexões com outros trabalhos, identificar diferentes perspectivas, aprofundar conceitos e construir novos questionamentos.

É assim que a informação circula e participa da construção do conhecimento científico.

A pesquisa não termina quando encontramos uma informação. Muitas vezes, é justamente aí que ela começa.

Setembro termina, a pesquisa continua

Durante este mês, a BGQ procurou mostrar que a Ciência da Terra pode estar presente em lugares que fazem parte do nosso cotidiano: em uma árvore, no solo sob nossos pés, na água que circula pelo ambiente, na atmosfera que envolve o planeta ou nos grandes sistemas naturais como a Amazônia e o Cerrado.

Agora, o convite é dar o próximo passo:

transformar curiosidade em pesquisa.

🔎 Escolha um tema.

📚 Procure fontes.

🧪 Compare informações.

🌎 Faça conexões.

💡 Construa conhecimento.

Precisa encontrar bibliografia para sua pesquisa?

Conte com a BGQ. A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica está aqui para ajudar você a encontrar informação científica e continuar esse caminho da pesquisa ao conhecimento.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O que existe debaixo de uma árvore?

Muito mais do que raízes: solo, água, minerais, matéria orgânica e microrganismos fazem parte de um sistema em constante transformação

Quando olhamos para uma árvore, geralmente nossa atenção se volta para aquilo que está acima do solo: o tronco, os galhos, as folhas, as flores ou os frutos. Mas existe uma parte igualmente importante, e que muitas vezes não conseguimos enxergar.

Debaixo de uma árvore existe um ambiente complexo, onde raízes, água, minerais, matéria orgânica, nutrientes e microrganismos interagem continuamente.

Compreender essas relações é também compreender processos importantes das Ciências da Terra e da Geoquímica.

Muito mais do que raízes

O solo não é apenas o suporte físico para o crescimento das plantas. Ele é um sistema dinâmico constituído por partículas minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos.

Nesse ambiente, as raízes ocupam um papel importante. Além de absorver água e nutrientes necessários ao desenvolvimento da planta, elas modificam as condições químicas e biológicas ao seu redor e interagem com os componentes do solo.

A região imediatamente próxima às raízes, conhecida como rizosfera, apresenta intensa atividade biológica e química. Nela, raízes e microrganismos participam de processos que influenciam a disponibilidade e a transformação de diferentes elementos químicos.

Água, minerais e nutrientes

A água que circula pelo solo transporta substâncias dissolvidas e participa de diversas reações químicas.

Ao mesmo tempo, os minerais presentes no solo e nas rochas podem liberar elementos químicos por processos de intemperismo. Esses elementos podem ser incorporados pelas plantas, permanecer no solo, ser transportados pela água ou participar de novas transformações.

Assim, existe uma circulação contínua de matéria entre diferentes componentes do ambiente.

É justamente esse tipo de interação que interessa à Geoquímica: como os elementos químicos estão distribuídos, como se transformam e como circulam entre os diferentes compartimentos da Terra.

O que acontece com as folhas que caem?

Quando folhas, galhos e outros resíduos vegetais chegam ao solo, eles não simplesmente desaparecem.

A matéria orgânica passa por processos de decomposição realizados principalmente por organismos do solo, incluindo fungos e bactérias. Durante esse processo, parte dos elementos presentes no material vegetal retorna ao ambiente.

Esse mecanismo participa da ciclagem de nutrientes, conectando a vegetação ao solo e aos organismos que nele vivem.

Carbono, nitrogênio, fósforo e outros elementos podem circular entre matéria orgânica, organismos, água e componentes minerais do solo.

E os microrganismos?

Embora sejam invisíveis a olho nu, os microrganismos desempenham funções fundamentais no funcionamento do solo.

Bactérias, fungos e outros organismos participam da decomposição da matéria orgânica e de diversas transformações químicas. Essas atividades podem modificar a disponibilidade de elementos e influenciar as características químicas do ambiente próximo às raízes.

Dessa forma, uma árvore não deve ser compreendida isoladamente.

Ela está inserida em uma rede de relações que envolve organismos, solo, água, minerais e atmosfera.

Onde entra a Geoquímica?

A Geoquímica ajuda a investigar justamente essas conexões.

Ao estudar a composição química dos solos, minerais, águas e matéria orgânica, essa área das Ciências da Terra contribui para compreender como os elementos químicos circulam e se transformam no ambiente.

Uma árvore, portanto, pode ser observada a partir de diferentes perspectivas: biológica, ecológica, ambiental, geológica e geoquímica.

O que acontece sob seus galhos envolve processos que conectam a vida aos componentes físicos e químicos do planeta.

Uma árvore faz parte de um sistema

Pensar no que existe debaixo de uma árvore é uma maneira simples de perceber que os diferentes componentes da Terra estão conectados.

A vegetação retira elementos do solo, a água transporta substâncias, os minerais sofrem transformações, os microrganismos decompõem matéria orgânica e os resíduos vegetais devolvem elementos ao ambiente.

Nada disso acontece de maneira isolada.

Uma árvore também faz parte de um sistema geoquímico.

E onde entra a BGQ/UFF?

Para compreender esses processos, a pesquisa científica é fundamental. Livros, artigos, teses, dissertações e outros documentos científicos permitem aprofundar o conhecimento sobre solos, minerais, águas, matéria orgânica, ciclos de elementos e processos ambientais.

Na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica da UFF (BGQ/UFF), o acervo reúne literatura científica voltada principalmente à Geoquímica e a áreas relacionadas das Ciências da Terra, oferecendo fontes para estudantes e pesquisadores interessados em investigar essas conexões.

Da copa às raízes, uma árvore revela muito mais do que vemos.

Observar o que acontece sob nossos pés é também descobrir como água, minerais, matéria orgânica, nutrientes e organismos participam da dinâmica da Terra.

Ciência também está debaixo de uma árvore. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O que a Geoquímica tem a ver com a camada de ozônio?

Da composição química da atmosfera às reações que influenciam a concentração de ozônio na estratosfera

Quando pensamos em Geoquímica, é comum associarmos a área ao estudo de rochas, minerais, solos, águas e sedimentos. Mas os processos geoquímicos também acontecem em um ambiente que muitas vezes está fora do nosso campo de visão: a atmosfera.

A composição química da atmosfera é dinâmica. Os gases presentes nela participam de reações, são transportados por diferentes movimentos atmosféricos e podem sofrer transformações provocadas pela radiação solar. A camada de ozônio é um dos exemplos mais conhecidos dessa complexa interação entre química e processos atmosféricos.

O que é o ozônio?

O ozônio é uma molécula formada por três átomos de oxigênio (O₃). Embora possa ser encontrado em diferentes regiões da atmosfera, sua presença na estratosfera é especialmente importante.

Cerca de 90% do ozônio atmosférico encontra-se na estratosfera, principalmente entre aproximadamente 20 e 25 km de altitude. Nessa região está o que chamamos de camada de ozônio, uma área de maior concentração relativa de O₃.

Uma relação constante com a radiação solar

A formação e a destruição do ozônio estão relacionadas à radiação ultravioleta do Sol.

De maneira simplificada, a radiação UV pode provocar a quebra de moléculas de oxigênio (O₂), produzindo átomos de oxigênio que podem reagir com outras moléculas de O₂ e formar O₃. Ao mesmo tempo, o próprio ozônio absorve radiação ultravioleta e pode ser novamente dissociado.

Isso significa que a camada de ozônio não é uma estrutura estática: há continuamente processos de formação e destruição de moléculas de O₃. Estudos recentes mostram que essa relação fotoquímica é fundamental para compreender o comportamento do ozônio estratosférico.

Onde entra a Geoquímica?

É justamente nesse ponto que a Geoquímica encontra a química atmosférica.

A concentração de ozônio depende de uma série de processos químicos e físicos que envolvem diferentes espécies presentes na atmosfera. Ciclos envolvendo oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e halogênios, por exemplo, podem influenciar a formação e a destruição do O₃.

Além das reações químicas, transporte atmosférico, circulação, temperatura, radiação solar e aerossóis também interferem no comportamento do ozônio.

Por isso, estudar a atmosfera exige uma abordagem integrada, na qual química, física, climatologia e Ciências da Terra dialogam entre si.

A camada de ozônio e as mudanças ambientais

A história da camada de ozônio também mostra como alterações na composição química da atmosfera podem produzir efeitos em escala planetária.

Substâncias contendo cloro e bromo, utilizadas em diversos produtos industriais ao longo do século XX, contribuíram para a destruição do ozônio estratosférico. A redução dessas substâncias após a adoção do Protocolo de Montreal está associada à recuperação gradual da camada de ozônio.

Entretanto, a recuperação não significa que o tema deixou de ser objeto de pesquisa. Estudos recentes apontam que mudanças climáticas, eventos vulcânicos e outras alterações na composição atmosférica podem modificar os processos que controlam o ozônio.

Em 2024, por exemplo, pesquisadores analisaram como o material lançado na estratosfera pela erupção do vulcão Hunga Tonga–Hunga Ha'apai, em 2022, contribuiu para alterações químicas relacionadas à destruição do ozônio. O estudo estimou contribuições químicas de até 4% de destruição do ozônio em determinadas regiões de médias latitudes e até 20% sobre a Antártica, destacando a importância de eventos naturais extremos para a química estratosférica.

Atmosfera também é território das Ciências da Terra

Estudar a camada de ozônio é, portanto, estudar as relações entre matéria, energia e processos químicos que acontecem no sistema Terra.

Para a Geoquímica, a atmosfera representa mais um ambiente no qual elementos e compostos químicos circulam, transformam-se e interagem. A investigação desses processos contribui para compreender fenômenos ambientais que ultrapassam os limites entre atmosfera, hidrosfera, biosfera e geosfera.

É também um bom exemplo de como as Ciências da Terra são interdisciplinares: compreender um fenômeno atmosférico pode exigir conhecimentos de química, física, climatologia, geociências, modelagem e observação ambiental.

Para continuar pesquisando

Para quem quiser aprofundar o tema, duas referências recentes podem ser bons pontos de partida:

1. CHIPPERFIELD, Martyn P.; BEKKI, Slimane. Stratospheric ozone: depletion, recovery and new challenges. Atmospheric Chemistry and Physics, v. 24, n. 4, p. 2783-2802, 2024. DOI: 10.5194/acp-24-2783-2024. O artigo apresenta uma discussão atual sobre a destruição e recuperação do ozônio estratosférico e os novos desafios relacionados às mudanças na composição atmosférica.

2. MATCH, A.; GERBER, E. P.; FUEGLISTALER, S. Beyond self-healing: stabilizing and destabilizing photochemical adjustment of the ozone layer. Atmospheric Chemistry and Physics, v. 24, p. 10305-10322, 2024. DOI: 10.5194/acp-24-10305-2024. O estudo aborda os mecanismos fotoquímicos envolvidos na formação, destruição e ajuste do ozônio na estratosfera, discutindo inclusive como mudanças na radiação UV podem afetar esses processos.

E onde entra a BGQ/UFF?

A biblioteca universitária também participa desse processo ao possibilitar o acesso à literatura científica necessária para compreender fenômenos complexos como esses.

Na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica da UFF, livros, artigos, teses, dissertações e outros documentos relacionados à Geoquímica e às Ciências da Terra podem servir como ponto de partida para pesquisas sobre atmosfera, química ambiental, ciclos de elementos, mudanças ambientais e processos geoquímicos.

Acesse o nosso catálogo e veja as obras relacionadas a este tema, como:

FINLAYSON-PITTS, Barbara J.; PITTS, James N. Chemistry of the upper and lower atmosphere: theory, experiments and applications. San Diego, 2000. 969 p. 

📚 Número de chamada: 551.511 F512 2000

SEINFELD, John H.; PANDIS, Spyros N. Atmospheric chemistry and physics: from air pollution to climate change. 2nd ed. New Jersey: J. Wiley & Sons, c2006. 1203 p. 

📚 Número de chamada: 551.511 S461 2. ed. c2006

A camada de ozônio mostra que a Terra é um sistema integrado: até mesmo os processos que acontecem a quilômetros acima de nossas cabeças fazem parte da dinâmica química do planeta.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Cerrado: muito além da paisagem

Solo, água, rochas, microrganismos e elementos químicos revelam a complexidade de um dos mais importantes biomas brasileiros

Quando pensamos no Cerrado, é comum imaginarmos árvores retorcidas, campos, flores, veredas e uma paisagem marcada pela alternância entre períodos de chuva e seca. Entretanto, existe uma parte fundamental desse ambiente que permanece escondida aos nossos olhos: o que acontece abaixo da superfície?

Sob a vegetação existe um sistema complexo formado por solos, rochas, água subterrânea, microrganismos e matéria orgânica. Esses componentes não funcionam de maneira isolada. Eles estabelecem relações contínuas que influenciam a infiltração e o armazenamento da água, a circulação de elementos químicos e a formação e transformação dos solos.

É nesse universo que as Ciências da Terra encontram um importante campo de investigação.

Um bioma profundamente relacionado à água

O Cerrado ocupa uma posição estratégica no território brasileiro e está associado a importantes bacias hidrográficas. Sua relação com os recursos hídricos vai muito além dos rios que podemos observar na superfície.

A água da chuva pode infiltrar-se pelo solo e alcançar camadas mais profundas, contribuindo para a recarga dos sistemas de águas subterrâneas. Esse processo é influenciado por diversos fatores, entre eles as propriedades hidráulicas do solo, a geologia, o relevo, a cobertura vegetal e o uso da terra. Pesquisas sobre a recarga subterrânea no Cerrado destacam justamente a importância de compreender esses fatores para a gestão dos recursos hídricos.

Por isso, a conhecida expressão “Cerrado, berço das águas” ganha um significado mais amplo quando observamos o que ocorre no subsolo. A Embrapa, por exemplo, destaca a importância hidrogeológica do bioma e aborda a relação entre águas subterrâneas, características geológicas e funcionamento das bacias.

O que as rochas têm a ver com a água?

A água que circula pelo ambiente entra em contato com os materiais geológicos. Ao atravessar solos e rochas, pode dissolver e transportar diferentes substâncias.

Esse processo está relacionado ao intemperismo, conjunto de processos físicos e químicos que promovem a alteração das rochas na superfície terrestre. A água, portanto, não é apenas transportada pelo ambiente: ela também participa de transformações químicas e pode carregar elementos provenientes dos materiais com os quais entra em contato.

É nesse ponto que a Geoquímica oferece uma importante perspectiva de investigação.

Ao analisar a composição química de águas, solos, rochas e sedimentos, pesquisadores podem buscar respostas para perguntas como:

Quais elementos estão presentes nesses materiais?

De onde eles vieram?

Como são transportados pelo ambiente?

O que acontece com eles durante a circulação da água?

Como atividades humanas podem modificar esses processos?

O solo também é parte do sistema

O solo não é simplesmente uma camada que recobre a superfície terrestre. Ele é um sistema dinâmico, formado pela interação entre minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos.

Suas características físicas e químicas influenciam a capacidade de armazenar e movimentar água. Estudos realizados em áreas de Cerrado mostram, por exemplo, que propriedades como textura, matéria orgânica e estrutura do solo estão relacionadas à retenção e à movimentação da água.

Além disso, alterações no uso e manejo da terra podem modificar propriedades do solo e interferir nos processos relacionados à água. Por isso, compreender o solo é também compreender parte da dinâmica ambiental do Cerrado.

E os microrganismos?

Existe ainda uma dimensão que não conseguimos observar diretamente: a vida microscópica presente no solo.

Microrganismos participam da decomposição da matéria orgânica e de processos relacionados à ciclagem de nutrientes. Dessa maneira, os componentes biológicos também fazem parte das transformações químicas que ocorrem no ambiente.

Temos, então, uma verdadeira rede de relações:

rocha → solo → água → elementos químicos → microrganismos → vegetação

Mas essa sequência não é linear. Todos esses componentes interagem continuamente, formando um sistema dinâmico.

Onde entra a Geoquímica?

A Geoquímica ajuda a investigar justamente a distribuição, a circulação e as transformações dos elementos químicos na Terra.

No Cerrado, essa abordagem pode contribuir para estudos relacionados à composição de águas subterrâneas e superficiais, características químicas dos solos, intemperismo de rochas, transporte de sedimentos, ciclagem de nutrientes e possíveis alterações provocadas pelo uso da terra.

Um estudo recente sobre a dinâmica hídrica de solos de Cerrado na Serra da Canastra, por exemplo, encontrou elevada capacidade de infiltração na área analisada e relacionou esse comportamento às características do solo e à atuação de elementos da paisagem, incluindo vegetação e organismos do solo.

Outro aspecto importante é a qualidade da água subterrânea. Pesquisas demonstram que determinadas propriedades dos solos podem influenciar a vulnerabilidade desses recursos à contaminação, reforçando a importância de conhecer as características físicas e químicas do ambiente.

Estudar o Cerrado é olhar para o sistema inteiro

A conservação do Cerrado depende também da compreensão de suas conexões.

Não basta olhar somente para a vegetação ou para os rios. É preciso considerar as relações entre solo, água, rocha, atmosfera e vida, além das transformações provocadas pelas diferentes formas de ocupação do território.

Essa perspectiva interdisciplinar é justamente uma das contribuições das Ciências da Terra: compreender que uma alteração em determinado componente pode produzir efeitos em outros.

Por isso, estudar o Cerrado também é estudar as relações entre solo, água, rocha e vida.

Para continuar pesquisando

Para quem quiser aprofundar o tema, uma indicação bastante pertinente é o capítulo:

AUGUSTO, Vagney Aparecido; CAMPOS, José Eloi Guimarães. Potencial hidrogeológico do Cerrado. In: RODRIGUES, Luís Nobre (ed.). Agricultura irrigada no Cerrado: subsídios para o desenvolvimento sustentável. 2. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Embrapa, 2024. cap. 7, p. 235-277. (Acesse aqui)

A publicação aborda justamente o potencial hidrogeológico do Cerrado e ajuda a compreender o significado da expressão “berço das águas” a partir da perspectiva das águas subterrâneas e das características do território. A obra está disponível em acesso aberto pela Embrapa.

Outra leitura interessante é o artigo “Avaliação da Recarga de Águas Subterrâneas em Ambiente de Cerrado com Base em Modelagem Numérica do Fluxo em Meio Poroso Saturado” (Santos; Koide, 2016), publicado na Revista Brasileira de Recursos Hídricos. O estudo investiga os processos de recarga de águas subterrâneas e os fatores que influenciam sua distribuição no Cerrado.

E onde entra a BGQ/UFF?

Para a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF), discutir o Cerrado também é uma oportunidade de aproximar ciência e informação.

Questões envolvendo água, solos, rochas, sedimentos, minerais e elementos químicos fazem parte de diferentes campos de pesquisa relacionados à Geoquímica e às Ciências da Terra.

A biblioteca pode ser o ponto de partida para quem deseja localizar literatura científica, conhecer diferentes abordagens sobre um problema de pesquisa e aprofundar seus conhecimentos por meio de livros, artigos, teses e dissertações.

No Dia Nacional do Cerrado (11 de setembro), o convite da BGQ é para olhar além da paisagem: compreender o que existe sob nossos pés também é uma forma de entender e valorizar esse importante bioma brasileiro.

Ciência, informação e conhecimento ajudam a revelar as conexões que fazem o Cerrado funcionar.


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A Amazônia também é um sistema geoquímico

Florestas, rios, solos, sedimentos e atmosfera estão conectados por processos que envolvem a circulação e transformação de elementos químicos

A Amazônia costuma ser lembrada principalmente pela sua dimensão, biodiversidade e importância climática. Mas, além de uma imensa floresta, a região constitui um sistema complexo no qual diferentes componentes naturais interagem continuamente. Rios, solos, sedimentos, vegetação, rochas e atmosfera participam de processos físicos, químicos e biológicos que influenciam a composição e o funcionamento dos ambientes amazônicos.

É justamente nessa perspectiva que a Geoquímica contribui para compreender a Amazônia.

Onde está a Geoquímica nessa história?
Os elementos químicos estão em constante movimento entre os diferentes compartimentos do ambiente. A água, por exemplo, entra em contato com rochas e solos, promovendo processos de intemperismo e transporte de substâncias dissolvidas. Os rios também carregam partículas e sedimentos, redistribuindo materiais ao longo das bacias hidrográficas.

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica sobre a geoquímica de rios de água preta do sudeste do Amazonas analisou parâmetros como pH, condutividade, sílica e diferentes íons dissolvidos. Os pesquisadores observaram que a composição química das águas sofre influência tanto da sazonalidade quanto das características geológicas das áreas drenadas.

Esse tipo de investigação mostra que a química da água de um rio também conta uma história sobre as rochas, os solos, o clima e os processos que ocorrem em sua bacia de drenagem.

Rios que transportam muito mais do que água
Os rios amazônicos são importantes vias de transporte de materiais. Além da água, carregam substâncias dissolvidas e partículas provenientes da erosão e do intemperismo das áreas por onde passam.

Os sedimentos, por sua vez, podem transportar e armazenar elementos químicos e matéria orgânica, participando de diferentes processos ao longo das bacias. Estudos sobre os sedimentos dos rios amazônicos investigam justamente sua composição mineralógica e química e sua relação com a origem dos materiais transportados.

Assim, observar um rio amazônico pela perspectiva geoquímica significa também perguntar: o que essa água está transportando? De onde vieram esses elementos? Como eles se transformam ao longo do percurso?

E a vegetação?
A floresta também participa ativamente desses ciclos. Os nutrientes presentes no solo podem ser absorvidos pelas plantas e retornar ao ambiente por meio da queda de folhas, decomposição da matéria orgânica e outros processos. Dessa forma, a vegetação, o solo e a água estão envolvidos em uma rede de trocas que contribui para o funcionamento dos ecossistemas.

Essa interação entre componentes bióticos e abióticos é justamente uma das características que tornam a Amazônia um sistema tão complexo e importante para as pesquisas ambientais.

Por que estudar esses processos?
Conhecer a composição química das águas, solos e sedimentos pode contribuir para compreender processos naturais e também identificar alterações provocadas por atividades humanas.

Questões relacionadas à erosão, mudanças no uso do solo, mineração, qualidade da água, transporte de sedimentos e alterações nos ciclos de elementos químicos podem ser investigadas a partir de diferentes abordagens das Ciências da Terra.

Por isso, falar sobre a Amazônia também é falar sobre Geoquímica, Hidroquímica, Geologia, Limnologia, Ciência do Solo e outras áreas que, juntas, ajudam a compreender as transformações que acontecem nesse ambiente.

Para continuar pesquisando
Para quem deseja aprofundar o tema, uma indicação especialmente interessante é a obra:

CUNHA, Hillândia Brandão da; PASCOALOTO, Domitila. Hidroquímica dos rios da Amazônia. Manaus: Governo do Estado da Amazônia; Centro Cultural dos Povos da Amazônia, 2007.

A obra é dedicada especificamente à química das águas amazônicas e surgiu, segundo o próprio INPA, da necessidade de ampliar o acesso a informações sobre os rios da região para estudantes e pesquisadores.

Também vale consultar o artigo “Geoquímica de rios de água preta do sudeste do Amazonas: origem, fluxo dos elementos e consumo de CO₂”, de Anderson da Silva Lages, Adriana Maria Coimbra Horbe e Jean-Sébastien Moquet, disponível em acesso aberto na Acta Amazonica. O estudo é particularmente interessante para quem deseja observar, na prática, como a Geoquímica pode ser utilizada para investigar as águas e os processos de uma bacia amazônica.

E a biblioteca nessa pesquisa?
É aqui que a BGQ/UFF entra como espaço de apoio à pesquisa. Uma biblioteca especializada não oferece apenas livros e artigos: ela também ajuda o pesquisador a encontrar fontes relevantes, identificar diferentes tipos de documentos e construir caminhos para aprofundar uma questão científica.

Para quem pesquisa Geoquímica e temas relacionados às Ciências da Terra, o acervo pode ser um ponto de partida para descobrir trabalhos sobre águas, solos, sedimentos, minerais, processos ambientais e diferentes aspectos da interação entre os componentes do planeta.

Em 05 de setembro foi celebrado o Dia da Amazônia, fica o convite da BGQ/UFF: além de admirar a floresta, que tal conhecer também os processos científicos que ajudam a explicar seu funcionamento?

Pesquisar é também uma forma de compreender e valorizar a complexidade da Amazônia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Ciência em destaque: o papel do biólogo nas Ciências da Terra


Como a Biologia pode contribuir para a compreensão dos processos que acontecem no planeta? A resposta está na interação entre os diferentes componentes da Terra e no diálogo entre as áreas do conhecimento.

No dia 3 de setembro, Dia do Biólogo, a Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) destaca a importância da atuação desse profissional na compreensão dos sistemas naturais e das complexas relações entre os organismos vivos e o ambiente.

Embora a Biologia tenha como objeto central de estudo a vida, os organismos não estão isolados do meio em que vivem. A vida está diretamente relacionada à água, ao solo, às rochas, aos minerais, à atmosfera e aos diferentes elementos químicos presentes nos ambientes. Dessa forma, compreender os fenômenos naturais muitas vezes exige uma perspectiva que ultrapasse os limites de uma única área do conhecimento.

Quando diferentes ciências se encontram
As Ciências da Terra reúnem diferentes campos dedicados ao estudo do planeta, de sua composição, estrutura, dinâmica e dos processos que nele ocorrem. Nesse contexto, áreas como Geologia, Geoquímica, Biologia, Ecologia e Ciências Ambientais podem estabelecer importantes relações.

Um exemplo está nos ciclos biogeoquímicos, nos quais elementos químicos circulam entre a atmosfera, a água, o solo, as rochas e os organismos. Carbono, nitrogênio, fósforo e enxofre, entre outros elementos, participam de processos que envolvem simultaneamente componentes biológicos, químicos e geológicos.

A atuação integrada dessas áreas permite investigar questões como:
  • a relação entre organismos e características químicas do solo;
  • a disponibilidade e a ciclagem de nutrientes nos ecossistemas;
  • as interações entre vegetação, solo e água;
  • a influência dos organismos sobre processos de transformação da matéria;
  • a qualidade de águas superficiais e subterrâneas;
  • a dinâmica de elementos químicos nos ambientes naturais;
  • os impactos das atividades humanas sobre os ecossistemas.
Assim, o conhecimento produzido pela Biologia pode complementar estudos desenvolvidos no campo das Geociências e da Geoquímica, contribuindo para uma compreensão mais ampla dos sistemas terrestres.

E onde entra a Geoquímica?
A Geoquímica ocupa uma posição particularmente interessante nessa interface porque investiga a composição química da Terra e o comportamento e a distribuição dos elementos químicos em seus diferentes ambientes.

Ao estudar solos, águas, rochas, sedimentos e outros materiais, a Geoquímica pode contribuir para compreender como os elementos são transportados, transformados e incorporados aos diferentes compartimentos do ambiente.

Mas esses processos não acontecem de maneira isolada.

A presença de organismos, a atividade microbiana, a decomposição da matéria orgânica e a absorção de nutrientes pelas plantas, por exemplo, podem influenciar diretamente a mobilidade e a disponibilidade de elementos químicos no ambiente.

É justamente nessa zona de interação que o diálogo entre Biologia, Geoquímica e outras áreas das Ciências da Terra se torna tão importante.

Biodiversidade e ambiente: uma relação inseparável
A biodiversidade também está profundamente relacionada às características físicas e químicas dos ambientes.

As condições do solo, a disponibilidade de água, a composição mineralógica e química dos substratos e as características climáticas podem influenciar a distribuição e a sobrevivência dos organismos. Ao mesmo tempo, os próprios organismos modificam o ambiente em que vivem.

A vegetação, por exemplo, participa da formação e transformação da matéria orgânica do solo, interfere na retenção de água e contribui para a ciclagem de diversos nutrientes. Microrganismos também desempenham funções importantes na decomposição da matéria orgânica e na transformação de elementos químicos.

Dessa maneira, estudar a biodiversidade também pode significar estudar as relações químicas, físicas e ambientais que sustentam a vida.

O papel da biblioteca na construção desse conhecimento
Para que essas relações sejam investigadas, é fundamental que pesquisadores e estudantes tenham acesso a informações científicas confiáveis.

É nesse processo que as bibliotecas universitárias desempenham uma função essencial: selecionar, organizar, preservar e possibilitar o acesso à produção científica e acadêmica.

Na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF), nosso acervo é direcionado principalmente à Geoquímica e às áreas relacionadas às Ciências da Terra. Entre os materiais disponíveis, encontram-se também publicações que abordam temas ambientais e questões que dialogam com diferentes campos do conhecimento.

Essa característica do acervo possibilita que estudantes e pesquisadores encontrem fontes para investigações que ultrapassam uma abordagem exclusivamente disciplinar, especialmente em temas relacionados à água, solo, sedimentos, recursos naturais, processos ambientais e interações entre os componentes dos sistemas terrestres.

A pesquisa científica contemporânea é cada vez mais marcada pela colaboração entre diferentes áreas. Por isso, conhecer as possibilidades oferecidas pelo acervo e saber localizar informações relevantes são etapas importantes para a construção de trabalhos acadêmicos consistentes.

Ciência que dialoga
O Dia do Biólogo é, portanto, uma oportunidade não apenas para homenagear os profissionais da área, mas também para refletir sobre a importância da integração entre os diferentes campos científicos.

A compreensão dos sistemas naturais depende da observação de suas múltiplas dimensões. Vida, água, solo, rochas, minerais e atmosfera fazem parte de um mesmo planeta e estão conectados por processos que não podem ser compreendidos completamente quando analisados de forma isolada.

Biologia, Geociências e Geoquímica podem, cada uma a partir de suas perspectivas, contribuir para desvendar essas conexões.

Neste 3 de setembro, a BGQ/UFF parabeniza todos os biólogos e biólogas e reforça a importância da ciência construída a partir do diálogo, da colaboração e do acesso à informação de qualidade.

Quer pesquisar sobre Geoquímica, meio ambiente ou temas relacionados às Ciências da Terra?
Conte com a BGQ/UFF para encontrar informação científica que possa contribuir para sua pesquisa.


 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Setembro chegou e, na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF), o mês será dedicado à ciência, à informação e à compreensão dos processos que fazem parte do planeta em que vivemos

As Ciências da Terra nos ajudam a compreender a dinâmica e a composição do nosso planeta a partir da investigação de diferentes componentes e processos naturais. Rochas, minerais, solos, águas, atmosfera, sedimentos e organismos estão em constante interação, formando sistemas complexos e interdependentes.

Nesse contexto, a Geoquímica desempenha um papel fundamental ao investigar a distribuição, a composição e o comportamento dos elementos químicos na Terra, contribuindo para a compreensão das transformações que ocorrem nos diferentes ambientes terrestres. Seus estudos dialogam com diversas áreas do conhecimento e podem contribuir para questões relacionadas aos recursos naturais, à qualidade ambiental, às mudanças nos ecossistemas e à compreensão dos ciclos biogeoquímicos.

🌱 Um mês para conectar diferentes temas
Ao longo de setembro, a BGQ irá utilizar algumas datas e temas relacionados às Ciências da Terra e ao meio ambiente como ponto de partida para apresentar conteúdos científicos de forma acessível e estimular a reflexão sobre as relações entre os diferentes componentes do planeta.

Entre os assuntos que estarão em destaque estão:
🌳 Amazônia, com atenção às interações entre floresta, água, solo, sedimentos e processos geoquímicos;
🌱 Cerrado, abordando as relações entre solo, rochas, águas subterrâneas, vegetação e dinâmica ambiental;
☁️ Atmosfera, incluindo aspectos relacionados à composição química e aos processos que ocorrem nesse importante sistema terrestre;
💧 Água, elemento essencial aos processos naturais e à manutenção dos ecossistemas;
🪨 Solo e sedimentos, importantes registros e participantes dos processos físicos, químicos e biológicos que acontecem na superfície terrestre;
🌿 Vegetação, considerando suas relações com o solo, a água e a ciclagem de elementos;
🌸 Primavera, como oportunidade para compreender fenômenos naturais e as relações entre a Terra e o Sol;

📚 Informação científica, destacando a importância da pesquisa, da qualidade das fontes e do acesso ao conhecimento científico.

🔬 Ciência para compreender e transformar
Falar sobre esses temas também significa reconhecer a importância da ciência para a sociedade. A investigação científica permite compreender fenômenos naturais, identificar mudanças ambientais, produzir conhecimento e oferecer subsídios para a tomada de decisões relacionadas à conservação e ao uso responsável dos recursos naturais.

Mais do que apresentar conceitos isolados, a proposta da BGQ é mostrar que os diferentes sistemas da Terra estão conectados. Uma alteração na composição de um solo pode influenciar a qualidade da água; os processos que ocorrem nas rochas participam da disponibilização de elementos para os ecossistemas; a vegetação interfere na ciclagem de nutrientes; e a atmosfera mantém complexas interações com a superfície terrestre.

Compreender essas conexões é uma das contribuições das Ciências da Terra e de áreas como a Geoquímica.

📖 A biblioteca também faz parte dessa conexão
A produção científica só cumpre plenamente seu papel quando pode ser encontrada, acessada e utilizada por estudantes, pesquisadores e pela sociedade.

Nesse processo, as bibliotecas universitárias exercem uma importante função: preservar, organizar e facilitar o acesso à informação científica.

Na BGQ, o acervo e os serviços estão voltados especialmente às necessidades de informação da comunidade acadêmica vinculada à área de Geoquímica e campos relacionados. Livros, teses, dissertações e outros materiais constituem fontes importantes para o desenvolvimento de pesquisas e para a construção do conhecimento.

Por isso, durante este mês, além de conhecer um pouco mais sobre diferentes temas das Ciências da Terra, o convite é também para pesquisar, descobrir novas fontes e utilizar a informação científica de forma responsável.

🌎 Em setembro, acompanhe a BGQ e descubra como diferentes áreas do conhecimento podem se conectar para ajudar a compreender a Terra.

🔬 Ciência que conecta. Informação que transforma. Conhecimento que permanece.



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

3 leituras essenciais para entender as transformações do planeta

Agosto chega ao fim, mas o convite para conhecer, pesquisar e compreender o planeta continua!

A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF) selecionou três obras do seu acervo que podem contribuir para quem deseja ampliar seus conhecimentos sobre as transformações da Terra, o ambiente e o território, aproximando diferentes perspectivas das Ciências da Terra.

Da evolução do planeta ao uso de ferramentas para análise ambiental e aos processos geoquímicos que ocorrem em ambientes costeiros, as obras selecionadas mostram como diferentes áreas do conhecimento podem se complementar na compreensão dos sistemas naturais e de suas transformações.

1. Curso de evolução da Terra
ALBUQUERQUE, Ana Luiza Spadano; SILVA, Wanilson Luiz; PATCHINEELAM, Soraya Maia (coord.). Curso de evolução da Terra. Niterói: UFF, Programa de Geoquímica, 2002.

O material apresenta uma perspectiva ampla sobre a evolução da Terra e os processos que contribuíram para a formação e transformação do nosso planeta, estabelecendo uma interessante conexão com as Ciências da Terra e a Geoquímica.
📚 Número de chamada: CD551 C977 2002

2. Geoprocessamento e análise ambiental: aplicações
SILVA, Jorge Xavier da; ZAIDAN, Ricardo Tavares (org.). Geoprocessamento e análise ambiental: aplicações. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

Uma referência para compreender como o geoprocessamento pode ser utilizado na análise ambiental, permitindo relacionar informações espaciais e apoiar estudos e processos de planejamento e gestão do território.
📚 Número de chamada: 333.7 G345 7.ed. 2013

3. Environmental Geochemistry of Coastal Lagoon Systems of Rio de Janeiro, Brazil
KNOPPERS, Bastiaan Adriaan; BIDONE, Edison Dausacker; CARNEIRO, Alex Pires; ABRÃO, Jorge João (coord.). Environmental Geochemistry of Coastal Lagoon Systems of Rio de Janeiro, Brazil. Niterói: UFF, Programa de Geoquímica, 1999.

Uma obra especialmente interessante para a comunidade da BGQ por abordar a Geoquímica Ambiental de sistemas lagunares costeiros do Rio de Janeiro. Publicada pelo Programa de Geoquímica da UFF, a obra integra a Série Geoquímica Ambiental, nº 6, e apresenta 210 páginas.
📚 Número de chamada: 551.9098153 E61 1999

Conhecimento que atravessa diferentes áreas

As três obras selecionadas mostram diferentes maneiras de olhar para a Terra: compreender sua evolução, analisar espacialmente o ambiente e investigar os processos geoquímicos que ocorrem nos sistemas naturais.

Que tal aproveitar para explorar o catálogo da UFF e descobrir outras referências para seus estudos e pesquisas?
Pesquise no catálogo da UFF e encontre novas possibilidades para sua pesquisa!

📚 Conhecimento para compreender o planeta.
🌎 Referências para transformar a pesquisa.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Ficha Catalográfica: veja como elaborar a sua

Está na etapa final do seu TCC, dissertação ou tese? Então é importante lembrar da Ficha Catalográfica, elemento que faz parte da apresentação dos trabalhos acadêmicos.

Na BGQ, o processo é simples e realizado totalmente online. O estudante deve acessar a página de Ficha Catalográfica das Bibliotecas UFF, selecionar a opção correspondente à sua biblioteca/curso e preencher o formulário com os dados solicitados.

Após concluir o preenchimento, a Ficha Catalográfica é gerada automaticamente, e o estudante já pode baixar o arquivo em PDF para inserir em seu trabalho.
💡 Dica da BGQ: Separe previamente as informações necessárias e confira os dados antes de finalizar o formulário.

Em caso de dúvidas sobre o preenchimento, entre em contato com a equipe da BGQ ou procure nosso balcão de atendimento. Estamos à disposição para ajudar você nessa etapa final da produção acadêmica!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Mitos, lendas e a ciência que explica a Terra


No dia 22 de agosto, celebramos o Dia do Folclore, uma data que valoriza as histórias, lendas, crenças e tradições que atravessam gerações. Muitas dessas narrativas também nasceram da tentativa de compreender fenômenos naturais que, durante muito tempo, pareciam misteriosos ou inexplicáveis.

🌋 A fúria dos deuses e os vulcões
Erupções vulcânicas e terremotos já foram associados à ira de divindades e a grandes acontecimentos sobrenaturais. Hoje, a Geofísica nos ajuda a compreender esses fenômenos como resultado da dinâmica interna e dos processos naturais do planeta.

🌊 Monstros marinhos e os mistérios dos oceanos
Relatos sobre enormes criaturas que habitavam os mares fazem parte de diferentes tradições populares. A Oceanografia e o estudo da vida marinha mostram que muitos desses relatos podem ter sido inspirados por animais reais, observados de maneira incomum ou em condições pouco favoráveis à identificação.

🦖 Fósseis e criaturas lendárias
Antes de entendermos que os fósseis são registros de organismos que viveram há milhões de anos, restos de grandes animais podiam alimentar histórias sobre gigantes e criaturas extraordinárias. A Paleontologia permite interpretar esses registros e reconstruir parte da história da vida na Terra.

✨ Do mito à ciência, permanece a curiosidade de compreender o nosso planeta.

Neste mês do Folclore, a BGQ convida você a conhecer um pouco mais sobre essa relação entre imaginação, história e conhecimento científico. Para aprofundar seus estudos sobre a história da Terra, consulte nossa seção de Paleontologia e Tectônica e explore o acervo disponível na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ/UFF).