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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Para quem ainda não leu...

Veja a matéria que trata da expedição científica na costa brasileira realizada por pesquisadores da UFF em que "... uma equipe do departamento de Geoquímica da Universidade Federal Fluminense, coordenada pela pesquisadora Ana Luiza Spadano Albuquerque, participou de uma expedição científica sobre clima."

Leia aqui a entrevista da pesquisadora Ana Luiza Albuquerque sobre as iniciativas da pesquisa.

Fonte: UFFNotícias, 13/06/2016. 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Fiocruz apresenta projeto sobre mudanças climáticas em Pernambuco

Para entender melhor as implicações das alterações do clima no estado de Pernambuco e os impactos desse processo na população, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu um estudo sobre esse tema. Os resultados dessa pesquisa serão divulgados no Seminário Indicadores de Vulnerabilidade ao Clima, evento que será realizado no dia 12 de abril, às 9h, no Hotel Golden Tulip Recife Palace.


O estudo é uma das atividades realizadas no âmbito do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, executado pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O objetivo da iniciativa, que integra o Grupo de Estudos Transdisciplinares em Educação em Saúde e Ambiente (Getesa) do Centro de Pesquisas René Rachou, é avaliar o potencial dos municípios para sofrerem impactos e a sua capacidade de responder aos riscos gerados pelo aquecimento global às populações de seis estados: Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e Pernambuco, sendo este último um dos representantes da região nordeste do país. Também está em fase de desenvolvimento uma ferramenta, um software, para mensurar a vulnerabilidade humana às alterações do clima, conforme cada município.


As pesquisas realizadas sobre o estado consideram informações de cada município relacionadas a fenômenos extremos, a exemplo de tempestades, e doenças vinculadas ao clima, entre elas, a dengue e leishmaniose. Dados sobre a população, envolvendo saúde e condições socioeconômicas e a capacidade dos municípios para lidarem com as mudanças climáticas também são utilizadas para calcular o Índice Municipal de Vulnerabilidade aos Impactos de Mudança Climática.


O coordenador do projeto e pesquisador do Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR/Fiocruz Minas), Ulisses Confalonieri, destaca que a partir dessa combinação de informações, é possível ter um retrato sobre os municípios e identificar os elementos que os tornam mais e menos vulneráveis em relação à capacidade de adaptação às mudanças do clima. “Os indicadores serão muito úteis para a administração estadual. Por meio desse instrumento e a análise de mapas e gráficos, será possível identificar qual parte do território está mais e menos vulnerável às alterações do clima e os mais aptos a se recuperar de possíveis impactos climáticos”, avalia.


Além da divulgação de resultados sobre as mudanças do clima no estado, durante o seminário será feita uma apresentação sobre o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima e debates sobre as alterações climáticas no país e questões relativas à vulnerabilidade das populações. O seminário também visa promover o diálogo e a aprendizagem sobre temáticas socioambientais em Pernambuco e disseminar a metodologia do projeto e a sua importância para a gestão municipal e estadual. O evento é voltado para gestores e técnicos das secretarias estaduais e municipais de saúde e meio ambiente, universidades, defesa civil, instituições que atuam na área de recursos hídricos, organizações não governamentais, órgãos relacionados ao meio ambiente e comitês de bacias.

Fonte:  Fiocruz, 12/04/2016.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Brasil, China, Índia e África do Sul exigem verba por mudança climática

Brasil, China, Índia e África do Sul manifestaram neste domingo (28) na ONU que estão decepcionados com os países ricos pela incapacidade de não manter seus compromissos de ajuda às nações pobres para combater o aquecimento global.
  Gráfico sobre mudança climática


Veja aqui a reportagem completa.

Fonte: G1 Natureza, 29/06/2015.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Meteorologistas buscam desvendar motivo que faz deste janeiro o mais quente e seco desde 1917

"Mudanças climáticas globais podem estar por trás dos recordes de calor e da falta de chuva

O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Manoel Gan explica que três fatores estão por trás deste janeiro radical. O primeiro é um bloqueio — em linhas bem gerais, uma massa de ar — no Pacífico Sul, que desvia os ventos atmosféricos para longe do Sudeste bem na altura do Rio de Janeiro. Adeus, frentes frias.

O segundo é uma mudança vinda da Amazônia. Jatos de vento amazônicos de alta velocidade carregados de umidade se desviaram do Sudeste e foram para o Sul do Paraguai. Esses rios voadores chovem agora sobre o Sul do Brasil.

O terceiro elemento é o chamado Vórtice de Altos Níveis do Atlântico, um aquecedor de ar e detonador de nuvens. Costuma se formar perto do Nordeste, mas se deslocou mais para o Sul na altura do Norte do Rio. Agradeça a ele quando sentir muito calor. É também o assassino das chuvas de verão de fim de dia, que ajudam a amenizar a temperatura."

  

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Mudanças climáticas provocarão ‘impactos irreversíveis’ nos ecossistemas, dizem cientistas

Grupo que elabora relatório do IPCC destaca que os corais são a maior preocupação ambiental 


Corais estão entre os ecossistemas mais ameaçados
Foto: Free Photos

Corais estão entre os ecossistemas mais ameaçados. Fonte: Free Photos.
RIO - Vinte e sete ecossistemas podem sofrer impactos “graves, invasivos e irreversíveis”, que atingirão seres humanos e outras espécies, se não forem tomadas providências imediatas contra o aumento de eventos extremos do clima. A maior preocupação são os corais, cuja presença não é muito marcante no Brasil. O tema marcou as discussões de 500 cientistas reunidos nesta quarta-feira em Copenhague, responsáveis por concluir nesta sexta o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Os delegados de 120 países chegaram à Dinamarca no início da semana para cumprir uma árdua missão — cortar pela metade o conteúdo de três documentos, elaborados há mais de um ano. Além do “cientifiquês”, a tesoura também mexe de acordo com a vontade política de cada país. A versão final do relatório terá, no máximo, 50 páginas, e será um reflexo do que a comunidade internacional está disposta a fazer contra as mudanças do clima.

— Precisamos reescrever para sintetizar (os outros documentos). Revisamos linha por linha — descreve Suzana Kahn, vice-presidente do IPCC. — Todas as probabilidades são questionadas. Uma das coisas que considero bizarra é a substituição da palavra “medidas”, que têm conotação política, por “opções”.

TEXTO MAIS OBJETIVO

Segundo Suzana, é necessário abreviar o documento porque “quanto mais informação você passa, menor é o impacto do que se quer ressaltar”.

— Fica tudo muito diluído. Além disso, não há tomador de decisão que leia mais do que poucas páginas.

Até a classificação de “países em desenvolvimento” gera controvérsia. Algumas delegações alegam que o termo, que vem do Banco Mundial, não poderia ser usado como fonte científica. Sua revisão pode repercutir nas negociações do IPCC, já que as nações em desenvolvimento reivindicam metas menos rigorosas para o corte de emissões de CO2.

O relatório final do IPCC pautará as discussões da Conferência do Clima de Paris, em dezembro de 2015. Espera-se que o encontro seja encerrado com um acordo global, em que cada país comprometa-se legalmente a diminuir a liberação de gases-estufa. As emissões destas substâncias devem ser reduzidas entre 40% e 70% até 2050, para que a temperatura média da Terra suba menos do que 2 graus Celsius no fim do século. No cenário atual, ela poderia chegar a 7 graus Celsius até 2100.

Na semana passada, a União Europeia anunciou que reduzirá em 40% suas emissões de gases-estufa até 2030, comparadas aos índices verificados em 1990.


Por: Renato Grandelle.
Fonte: O Globo, 30/10/2014.

























































quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Reunião da Cúpula do Clima da ONU

A Cúpula do Clima termina com muitas promessas de governantes e empresas para frear as mudanças climáticas e expectativa de um novo pacto global em 2015. Brasil não anunciou metas de redução de emissões nem assinou acordo de desmatamento zero. 

Para ler a reportagem completa clique aqui.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Simpósio de Mudanças Climáticas e Processos de Retroalimentação

 

O Simpósio de Mudanças Globais e processos de retroalimentação ocorrerá entre 15 e 17 de setembro de 2014 nas dependências do CCS- UFRJ. O Simpósio contará com a participação e palestras de pesquisadores nacionais e estrangeiros com grande experiência no tema. Mais informações no site http://simposiolincglobal.blogspot.com.es.



 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Para além da Amazônia

Gestão ambiental, impacto das mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável na região amazônica foram destaque nos últimos dias da Reunião Anual da SBPC. Mas evento não se restringiu a questões locais e abordou outros temas relevantes para a pesquisa e o ensino no país.

Para além da Amazônia
Como esperado, assuntos relacionados à Amazônia estiveram em evidência nesta edição da Reunião Anual da SBPC, realizada no Acre. (foto: Marcelo Garcia)

Realizada em plena floresta amazônica, em Rio Branco, no Acre, a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) não poderia se furtar de debater em profundidade temas associados à exploração e preservação dos vastos recursos naturais da região. Porém, o que se viu foram discussões que abordaram questões caras não só ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, mas ao progresso da pesquisa e do ensino em todo o país. Mudanças climáticas, reforma universitária, democratização dos meios de comunicação, ética na pesquisa e muitos avanços científicos foram apresentados nas salas e auditórios que abrigaram o maior evento científico do país, encerrado no domingo (27/07).

De forma complementar ao debate sobre a falta de doutores no Norte do país, discutiu-se, por exemplo, a necessidade de se fortalecerem as universidades da região, com a criação de projetos conectados com o principal vetor de desenvolvimento regional: a floresta. Em conferência na última sexta-feira (25/07), o ministro da Educação, José Henrique Paim, prometeu empenho e investimento na área e utilizou a própria Universidade Federal do Acre para exemplificar o gargalo que existe na região: com quase meio século de existência, apenas em 2014 a instituição criou seu primeiro curso de doutorado.

O ministro também ressaltou a necessidade de um novo modelo universitário em geral, que leve em conta o papel dessas entidades no desenvolvimento do país e que mantenha relação mais próxima com o setor industrial. Nesse sentido, citou o recém-anunciado programa Plataformas do Conhecimento como alternativa para fomentar a cooperação entre o setor produtivo e as instituições de ciência e tecnologia. Paim ainda destacou a necessidade de internacionalizarmos nossas instituições: mesmo elogiando o programa Ciência sem Fronteiras, defendeu que é preciso ir mais longe nesse processo de cooperação entre universidades brasileiras e do exterior.

Duas mesas-redondas também falaram sobre a necessidade de reformas no ensino brasileiro. Uma delas relacionou a dificuldade de atrair e fixar doutores na Amazônia à falta de recursos, de condições de pesquisa e de infraestrutura da região. Sem escolas particulares e sistema de saúde de primeira linha, por exemplo, a capacidade de manter doutores diminui, argumentaram os palestrantes – e os resultados aparecem, por exemplo, na discrepância regional em indicadores de competência científica e de educação.

Na outra mesa, pesquisadores defenderam que é preciso estimular a autonomia, a sustentabilidade financeira e a maior capacidade de operação da pesquisa básica aplicada nas universidades brasileiras. Os debatedores problematizaram a emergência de grandes conglomerados privados de ensino superior, a necessidade de repensar os instrumentos de avaliação e supervisão dessas instituições, a perda de terreno do ensino presencial para o ensino a distância e a importância de levar a universidade a mais municípios do país, além da defenderem a adoção de currículos mais leves e interdisciplinares.

Foco na Amazônia


Como não poderia deixar de ser, a questão ambiental também foi destaque no evento. Em uma das palestras mais aguardadas, o climatologista Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, abordou o impacto das mudanças climáticas na gestão de risco na Amazônia. O francês radicado no Brasil há 40 anos chamou a atenção para a relação entre hidrelétricas e a emissão de gás metano, um dos principais causadores do efeito estufa, e defendeu que a implantação das hidrelétricas de Tucuruí e Belo Monte, no Pará, e de Santo Antônio, em Rondônia, foi fundamental para a ocorrência das secas e enchentes recentes na Amazônia – a cheia do rio Madeira, por exemplo, isolou o Acre por dez dias no início do ano.

Um recurso pouco conhecido presente na região, o Sistema Aquífero Grande Amazônia, também foi lembrado nas palestras. Com mais de 162 quilômetros cúbicos de água escondida no subterrâneo, relativos a quatro bacias hidrográficas (Acre, Solimões, Amazonas e Marajó), o aquífero teria importância vital para a manutenção do sensível equilíbrio climático da floresta, em especial seu regime de chuvas – o que o torna fundamental para o clima de todo o país e até para atividades como a geração de energia elétrica. 

O passado da região amazônica foi explorado pelo professor Jonas Pereira de Souza Filho, da Ufac. Ele apresentou registros fósseis de jacarés, tartarugas, jabutis, capivaras, aves gigantes, preguiças e outros animais, a maioria deles extintos, mas que já reinaram na região e são prova de que a grande floresta de hoje é apenas o estado atual da longa história evolutiva da própria Terra. Os achados indicam que a Amazônia já foi um enorme pantanal e uma savana – retorno ao passado que pode ajudar, inclusive, a pensar sobre o futuro da região.


Por: Marcelo Garcia
Fonte: Ciência Hoje On-line, 28/07/2014
Para acessar a matéria completa clique aqui.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

IPCC: entre a ciência de ponta e a inércia política

Novo relatório reafirma preocupações da comunidade científica em relação aos impactos das mudanças climáticas. O ‘grande vilão’ não é o petróleo, e sim o modelo de desenvolvimento adotado pelas sociedades contemporâneas

IPCC: entre a ciência de ponta e a inércia política
Usina termelétrica movida a carvão em Ohio, nos Estados Unidos. O consumo de energia a partir de matrizes fósseis aumentou na última década. (foto: Wikimedia Commons/ Analogue Kid – CC BY 2.5)
Apesar dos esforços globais – insuficientes? – para se emitir cada vez menos gases que possam interferir em nosso sistema climático, medições atuais indicam cenário desolador. Algo parece estar dando errado: mesmo com tanto debate acerca do tema, e com cada vez mais iniciativas para atenuar os piores cenários climáticos visionados por cientistas, as emissões globais de gases-estufa entre 2000 e 2010 aumentaram em ritmo mais apressado do que nas três décadas precedentes. 

Essa é uma das considerações apresentadas no recém-divulgado relatório do Grupo de Trabalho 3 (WGIII, na sigla em inglês) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Relatório do grupo III do IPCC
  
“Somente em 2010, 49 gigatoneladas de carbono foram emitidas na atmosfera; foi o maior nível da história desde que se iniciaram as estimativas”, disse a engenheira Suzana Kahn, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do WGIII. Em evento realizado nesta semana no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), na capital carioca, Kahn lembrou que ainda não foram feitos os cálculos para os anos de 2011, 2012 e 2013 – mas os níveis emitidos nestes anos foram, muito provavelmente, mais elevados. 

Não é uma conversa nova. Relatórios e discussões têm há décadas indicado tendências similares. Mas na esfera política a letargia perdura.

Um dos temas mais caros aos autores do IPCC é a produção de energia. De acordo com Kahn, houve a partir de 2010 aumento significativo na produção energética baseada em carvão – o que intensificou as emissões de carbono no setor industrial.

E, quando o assunto é energia, comumente ao petróleo é reputado o papel de algoz. “Porém, entendemos que hoje o ‘vilão’ não é exatamente o petróleo, mas sim o modelo de desenvolvimento de nossas sociedades, que não é sustentável”, esclareceu Kahn durante o evento na Coppe. 

São questões como essa que, segundo a pesquisadora, nutrem discussões intermináveis – que varam a madrugada – entre cientistas e representantes de Estado, quando se reúnem para dar a canetada final que resulta nos sumários executivos dos relatórios do IPCC. 

Burocracia nada inocente
Aos menos familiarizados com o assunto, vale lembrar: os cientistas do IPCC produzem um longo relatório que é, em seguida, sintetizado em um pequeno sumário técnico. Adiante, com base nesse documento, pesquisadores e representantes de Estado reúnem-se para produzir outro texto – que é o sumário executivo, destinado aos tomadores de decisão da esfera política.

Singelo detalhe, entretanto, tende a embaçar o entendimento público da questão. “É que o sumário executivo é uma seleção que os governos fazem apenas com as informações que julgam politicamente relevantes”, revelou Kahn. Como conciliar interesses e conveniências de mais de 190 países a partir de um relatório científico que coloca o dedo na ferida da civilização e questiona as mazelas profundas de nosso modelo econômico?

“O sumário executivo, assim, tende a ser fraco, genérico, pouco enfático e sem grandes mensagens”, resumiu Kahn. É, para alguns, mais um documento diplomático do que propriamente científico. No entanto, esse é o texto que costuma ser amplamente divulgado; é essa versão – politizada – que acaba se disseminando. “As pessoas muitas vezes confundem”, ressaltou Kahn. “No meu entendimento, é exatamente o sumário técnico que deveria ser mais divulgado; pois nele não há interferência alguma dos governos.”

A velha história
“O trabalho desenvolvido pelo WGIII foi muito bom e levantou questões que ainda não tinham sido abordadas em relatórios anteriores do IPCC, como a insustentabilidade do atual padrão de consumo”, disse Kahn à CH On-line.

E os tecnocratas estão em baixa. “Uma das principais mensagens do último relatório é que será muito difícil, se não impossível, reduzir emissões simplesmente a partir de meras soluções tecnológicas; não basta a tecnologia se não houver mudança real de comportamento e modelos de consumo”, afirmou Kahn.

Aliás, se a sociedade contemporânea estivesse contaminada por uma grave doença, seu nome já seria bem conhecido: consumismo – termo assaz preocupante para a comunidade científica. Com estratégias conservadoras de mitigação, isto é, mantendo-se intacto o modelo vigente da economia global, estima-se que o consumo daqui em diante aumente entre 1,6% e 3% ao ano; enquanto se estratégias mais audazes forem implementadas, esse número ficaria em torno de 0,06%.

De acordo com os modelos climatológicos compilados pelo IPCC, o cenário mais temerário é que a temperatura média da Terra aumente mais de 8 ºC até o fim do século. Na melhor das hipóteses, deve aumentar apenas 2 ºC. Para que isso aconteça, teríamos de reduzir as emissões de gases-estufa em 40% a 70%, em relação aos níveis de 2010, até 2050; e deveriam ser reduzidas a patamares próximos de zero até 2100, reza o novo relatório.

O físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo e também membro do IPCC, acredita que os desafios climáticos já não mais são de natureza científica. “São de natureza política”, disse no evento da Coppe. “O grande problema, a partir de agora, é a construção de uma governança global eficiente, capaz de gerenciar os cenários climáticos de maneira responsável.” Segundo Artaxo, essa almejada estrutura institucional de governança não será resolvida em meia dúzia de reuniões. Levará décadas.

Entre a inércia e o pessimismo, entretanto, talvez haja luz no fim do túnel. Segundo os pesquisadores, espera-se que, nas próximas duas décadas, investimentos na geração de energia a partir de fontes renováveis aumentem cerca de 147 bilhões de dólares; ao passo que investimentos em energia fóssil devem cair 30 bilhões de dólares.

Parque eólico
Segundo pesquisadores, os investimentos em geração de energia a partir de fontes renováveis devem aumentar cerca de 147 bilhões de dólares nas duas próximas décadas e os investimentos em energia fóssil devem cair 30 bilhões de dólares. (foto: Emilio García/ Flickr – CC BY-SA 2.0) 
Mas tênue é a diferença entre o otimismo e a ingenuidade. Para muitos cientistas, é ingênuo esperar mudanças efetivas enquanto as regras do jogo da economia global continuarem as mesmas. Necessária pergunta: há algum horizonte promissor para que as regras de fato mudem? “Não estou otimista”, respondeu Kahn.

O relatório, assinado por 235 cientistas oriundos de 58 países e aprovado na primeira quinzena de abril, na Alemanha, é a terceira e última etapa de um trabalho que vem sendo elaborado desde 2009. A primeira parte dessa empreitada, divulgada em setembro de 2013, foi a publicação do Grupo de Trabalho I (WGI) do IPCC, que apresentava o conhecimento atual sobre as bases físicas do sistema climático. O segundo documento, publicado em março deste ano, ficou por conta do Grupo de Trabalho II (WGII), e versava sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade. Somadas, as três partes formarão o tão esperado Quinto Relatório de Avaliação – ou, para os íntimos, AR5. A publicação é esperada para outubro de 2014.

Fonte: Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line. 30/04/2014









terça-feira, 25 de março de 2014

Demanda dos emergentes agrava tensões por recursos, diz ONU

Água e energia terão forte incremento em sua demanda nos próximos anos. ONU advertiu para o risco de esgotamento dos recursos do planeta.

O crescimento econômico e demográfico, principalmente nos países emergentes, provocará nas próximas décadas um forte incremento na demanda de água e energia, com risco de esgotamento dos recursos do planeta, adverte a ONU nesta sexta-feira (21).

O consumo de água e de energia estão estreitamente ligados, destaca a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) em um relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, publicado na véspera do Dia Mundial da Água.

"A produção energética representa quase 15% das extrações de água, e a tendência é de alta", já que 90% da produção de energia mundial utiliza importantes volumes de água, destaca o documento.

Diante disto, o acesso à água corrente e à eletricidade de centenas de milhões de pessoas gera enormes desafios, tendo em conta que "20% dos aquíferos do planeta estão superexplorados", adverte a UNESCO.

Segundo as previsões, a demanda por eletricidade crescerá 70% até 2035 e mais da metade deste crescimento se produzirá na China e na Índia.

"A demanda por água doce e energia seguirá aumentando nas próximas décadas para atender às necessidades das populações e das economias em crescimento e as mudanças de estilo de vida e de consumo, amplificando de forma importante as pressões sobre os recursos naturais limitados e os ecossistemas", destaca o documento, apresentado em Tóquio.

Atualmente, 768 milhões de pessoas carecem de acesso seguro e regular à água, mais de 1,3 bilhão vivem sem eletricidade e quase 2,6 bilhões utilizam combustíveis sólidos - biomassa em particular - para cozinhar.

O relatório prevê um aumento de 55% na demanda de água nos próximos 35 anos. "Em 2050, 2.300 milhões viverão em zonas submetidas a um estresse hídrico severo, em particular no Norte da África e na Ásia Central e do Sul".

Tensões geopolíticas


Na Ásia, a questão da água deverá provocar um aumento considerável das tensões políticas, já que os mananciais dos rios geralmente ficam nas fronteiras.

"As zonas de conflito incluem o Mar de Aral e as bacias do Ganges e do Brahmaputra, do Indus e do Mekong", destaca a ONU.

A demanda energética aumentará em mais de um terço até 2035, e mais da metade deste aumento ocorrerá na China, Índia e Oriente Médio.

Em relação à água consumida pelo setor energético, passará de 66 bilhões de metros cúbicos de água doce em 2010 para quase o dobro (+85%) em 2035.

A busca de alternativas energéticas - como os biocombustíveis - exige igualmente o uso de enormes volumes de água.

"Desde o início dos anos 2000 são desenvolvidos cultivos agrícolas em grande escala para a produção de biocombustíveis, que consomem enormes volumes de água".

"A exploração do gás de xisto também registrou uma grande expansão nos últimos anos, em particular nos Estados Unidos, mas esta energia fóssil só pode ser extraída por fratura hidráulica, um método que exige grandes volumes de água e comporta riscos importantes de contaminação dos lençóis freáticos".

"A energia hidroelétrica cobre hoje 16% das necessidades energéticas do mundo" e há um grande potencial de construção de represas na América Latina, em particular no Brasil e na África, mas estas obras também representam desafios.

"A construção das represas para se produzir hidroeletricidade tem um custo social e ambiental considerável, especialmente porque reduz a biodiversidade".

As energias eólica e solar, que consomem muito pouca água, "estão ganhando terreno', mas "proporcionam um serviço intermitente que deve ser complementado por outras fontes de energia".

Além disso, as energias renováveis não poderão desempenhar um papel de verdadeira alternativa enquanto as energias fósseis (petróleo, gás, carvão) receberem fortes subsídios, conclui a UNESCO.

Fonte: G1 em 21/03/2014. 
Por: Da France Presse.



terça-feira, 18 de março de 2014

Cientistas identificam nova ameaça 'misteriosa' à camada de ozônio

Quatro novos gases produzidos pelo homem estariam por trás de destruição de 'escudo natural' contra raios UV

 Camada de ozônio (Foto: AP)

Camada de ozônio (Foto: AP)

Cientistas identificaram quatro novos gases de efeito estufa produzidos pelo homem que estão contribuindo para a destruição da camada de ozônio.

Embora as concentrações atuais desses gases ainda sejam pequenas, dois deles estão se acumulando na atmosfera a uma taxa significativa.

Desde meados dos anos 80, preocupações sobre o crescente buraco na camada de ozônio vêm restringindo a produção de gases clorofluorcarbonetos (CFC).

Mas a origem dos novos gases ainda permanece um mistério, dizem os cientistas.

Localizada na atmosfera, entre 15 e 30 quilômetros acima da superfície da Terra, a camada de ozônio tem um papel fundamental no bloqueio dos raios ultravioleta (UV), que podem causar câncer em humanos e problemas reprodutivos nos animais.

Cientistas do British Antarctic Survey, entidade responsável pelos assuntos relativos aos interesses do Reino Unido na Antártida, foram os primeiros a descobrir um enorme 'buraco' na camada de ozônio sobre o continente gelado em 1985.

As evidências rapidamente apontaram como causa os gases CFC, que foram inventados na década de 1920 e amplamente utilizados em refrigeração e como propulsores em aerossóis, como sprays e desodorantes.

Os países, então, concordaram rapidamente em restringir os CFCs, e o Protocolo de Montreal, de 1987, limitou o uso dessas substâncias.

A proibição internacional total sobre sua produção entrou em vigor em 2010.

Agora, pesquisadores da Universidade de East Anglia, em Londres, descobriram evidências de quatro novos gases que podem destruir o ozônio e que estão sendo lançados na atmosfera a partir de fontes ainda não identificadas.

Três dos gases são CFCs e um é o hidroclorofluorocarboneto (HCFC), que também pode danificar o ozônio.

'Nossa pesquisa identificou quatro gases que não estavam na atmosfera até a década de 1960, o que sugere que eles são produzidos pelo homem', disse o chefe da pesquisa, Johannes Laube.

Os cientistas descobriram os gases analisando blocos de neve. Segundo eles, o ar extraído dessa neve é um 'arquivo natural' do que estava na atmosfera até 100 anos atrás.


Origem desconhecida
 
Os pesquisadores também analisaram amostras de ar coletadas no Cabo Grim, uma região remota na ilha da Tasmânia, na Austrália.

Eles estimam que cerca de 74 mil toneladas desses gases foram liberados na atmosfera. Dois dos gases estão se acumulando a taxas significativas.

'Nós não sabemos de onde os novos gases estão sendo emitidos e isso deve ser investigado. Fontes possíveis incluem insumos químicos para a produção de inseticidas e solventes para limpeza de componentes eletrônicos', afirmou Laube.

'Além do mais, os três CFCs estão sendo destruídos muito lentamente na atmosfera - por isso, mesmo se as emissões parassem imediatamente, eles ainda permaneceriam na atmosfera por muitas décadas', acrescentou.

Os quatro novos gases foram identificados como CFC-112, CFC112a, CFC-113a, HCFC-133a.
O CFC-113a foi listado como um 'insumo agroquímico para produção de piretróides', um tipo de inseticida que já foi usado largamente na agricultura.

Assim como o HCFC-133a, ele tambem é usado na fabricação de refrigeradores. Os CFC-112 e 112a podem ter sido usados na produção de solventes de limpeza de componentes eléctricos.

Outros cientistas reconheceram que, embora as concentrações atuais desses gases sejam pequenas e não representem uma preocupação imediata, uma pesquisa para identificar sua origem precisa ser feita.

'Esse estudo destaca que a destruição do ozônio ainda não é a história do passado', disse Piers Forster, professor da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra. 'As concentrações encontradas neste estudo são minúsculas. No entanto, nos lembra que precisamos estar vigilantes e monitorar continuamente a atmosfera'.

'Das quatro espécies identificadas, CFC-113a parece ser o mais preocupante, já que a emissão, embora ainda pequena, cresce rapidamente', acrescentou.


Fonte: G1 em 10/03/2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

2013 foi o sexto ano mais quente desde 1850, afirma agência da ONU

Dados foram divulgados pela Organização Meteorológica Mundial.

'Temperatura confirma aquecimento a longo prazo', disse secretário.


O sol continua predominado no estado acompahando de muito calor  (Foto: Valéria Martins/G1)
Temperatura no mundo deve subir ainda mais
(Foto: Valéria Martins/G1)
O ano de 2013 foi o sexto mais quente desde 1850, quando começaram a ser feitas medições da temperatura global, e se igualou a 2007, de acordo com estatísticas da Organização Meteorológica Mundial (WMO), ligada às Nações Unidas.

Segundo a entidade, a tendência para os próximos anos é de a temperatura no mundo subir ainda mais. No Brasil, por exemplo, São Paulo registrou em 2014 o janeiro mais quente de sua história desde o início das medições diárias de temperatura feitas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943.

De acordo com o relatório da WMO, a temperatura média da superfície terrestre e dos oceanos superou em 0,50ºC a média calculada entre 1961 e 1990, e ficou 0,03ºC acima da média entre 2001 e 2010.

"A temperatura média de 2013 confirma a tendência de aquecimento a longo prazo", afirmou o secretário-geral da organização, Michel Jarraud. " A taxa de aquecimento não é uniforme, mas a tendência subjacente é inegável. Dadas as quantidades recordes de gases de efeito estufa na nossa atmosfera, as temperaturas globais continuarão a subir para as próximas gerações", explicou.

"A nossa ação - ou a falta de ação - para reduzir as emissões de dióxido de carbono e outros gases que retêm o calor irão moldar o estado do nosso planeta para nossos filhos, netos e bisnetos", disse Jarraud.

Segundo a WMO, 13 dos 14 anos mais quentes aconteceram no século 21. O recorde são dos anos de 2010 e 2005 (0,55°C), seguidos por 1998, anos marcados pelo fenômeno de aquecimento muito poderoso provocado pelo El Niño.

Tanto o El Niño quanto o fenômero de resfriamento La Niña são fatores determinantes para a variabilidade natural do clima. O ano de 2013 foi um dos quatro anos mais quentes que se produziu estes fenômenos.

Temperaturas em terra e oceanos

No que diz respeito às superfícies terrestres, a temperatura mundial de 2013 foi superior em quase 0,85°C à média de 1961-1990 e em aproximadamente 0,06°C à média de 2001-2010, segundo o comunicado do organismo.

Esta é a quarta maior temperatura já registrada, motivada em parte por um período muito quente de novembro a dezembro.

Nos oceanos, em 2013 foi observado um calor excepcional na Grande Baía Australiana e suas águas adjacentes, assim como em partes do nordeste e no centro-sul do Oceano Pacífico e em grande parte do Oceano Ártico.

A temperatura na superfície dos oceanos mundiais foi a maior desde 2010. Junto com 2004 e 2006 foi o sexto ano mais quente dos registros, 0,35°C acima da média de 1961-1990 e sendo igual à média mais recente de 2001-2010, segundo a OMM.

A OMM, com 191 países membros, explica no comunicado que divulgou os dados sobre as temperaturas para antecipar a versão completa da declaração sobre o estado do clima de 2013, que será divulgado em março.

Na declaração serão especificadas de forma mais detalhada as temperaturas, as precipitações, as inundações, as secas, os ciclones tropicais, a camada de gelo e o nível do mar em escala regional.


Fonte: G1 - 05/02/2014.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O perigoso estado do planeta

Vídeo financiado pela ONU revela – em curtos e esclarecedores três minutos – o que pode acontecer com o aumento da temperatura


Lançado recentemente, vídeo produzido pelo Programa Internacional Biosfera/Geosfera e pelo Globaia, e financiado pelaONU, revela – em curtos e esclarecedores três minutos – o que o futuro poderá nos trazer caso a humanidade não desperte rapidamente do pesadelo do excesso de carbono na atmosfera e nos oceanos. (Assista abaixo)

O planeta Terra é vasto e é difícil compreender sua escala, assim como é difícil compreender a escala das mudanças que ele sofreu por conta de nossas atividades. População, produção e consumo cresceram exponencialmente, e isto provocou uma rápida mudança no sistema do clima, explica o vídeo.

O aumento de temperaturas deverá chegar aos 2ºC (patamar considerado minimamente seguro para a ciência até 2100) já em 2050. Até 2100, deverá ser de 4ºC, o que causa grande preocupação pelosdesastresque deverá produzir, como a intensificação de eventos extremos do tempo (secas, enchentes e tempestades), a elevação do nível do mar e sua acidificação(que aumentou 26% desde o início da Revolução Industrial).

As consequências serão severas não apenas para os ecossistemas, mas também para a economia (que explora cada vez mais intensamente recursos já estressados como água,minerais ou florestas), para a saúde humana e para a segurança alimentar.

Ondas de calor se tornarão mais intensas e longas. O Ártico vai esquentar mais rápido. O mar poderá subir mais de metro, com riscos para populações costeiras. Regiões úmidas vão ficar mais úmidas e aquelas secas, mais secas.O mundo deverá atingir, antes de 2050, toda a cota de carbono que poderia queimar até 2100 para manter a Terra em estabilidade mínima.


Fonte: National Geographic Brasil - por José Eduardo Mendonça em 06/12/2013.


Relatório do IPCC: as mudanças climáticas são reais e o ser humano é o principal responsável

O aquecimento global sem precedentes é um fato e as emissões de gases de efeito estufa são a principal causa



Segundo o 5º Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas Globais, as emissões de gases de efeito estufa são a principal causa do aquecimento global.

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) começou a publicar seu 5º Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas Globais. A primeira das quatro partes do relatório foi lançada em 27 de setembro, em Estocolmo, e trata da ciência do clima, ou seja, do que esta acontecendo com o clima global, quais as causas das mudanças e quais os cenários futuros para estas mudanças.

Em um resumo super sintético, o relatório diz: O aquecimento global sem precedentes é um fato e as emissões de gases de efeito estufa (GEE) são a principal causa. As mudanças climáticas provocadas por este aquecimento afetam o nível do mar, a temperatura e a acidez dos oceanos, extensão e espessura do gelo nos polos e disponibilidade de água no planeta. Para estancar este processo é preciso reduzir drasticamente as emissões de GEE sob pena de chegarmos ao final deste século com aumento médio de temperatura do planeta em até 5,8oC (40% do que no início do século passado).

Com o grande avanço dos modelos climáticos foi possível gerar mapas e análises específicas para as grandes regiões do planeta e as notícias para o Brasil não são alentadoras como já havia sido adiantado pelo Relatório de Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticaspublicado recentemente pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.No Brasil, o aumento de temperatura em 2100 poderia chegar a 7oºC no cenário mais crítico e a redução da precipitação pode chegar a 30% entre as regiões norte e nordeste.

Os impactos destes cenários serão objeto da segunda parte do relatório, a ser lançado em março de 2014, e as ações necessárias para mitigar as emissões e evitar os piores cenários serão objetivo da terceira parte do relatório a ser publicada em abril de 2014.

As conclusões desta que é a mais extensa, completa e profunda revisão do estado da ciência do clima já produzido deve ser peça fundamental para informar e dar subsídios para que os tomadores de decisão no setor público e privado estabeleçam ações para mitigar as emissões e adaptar as nossas atividades, negócios, infraestrutura e todos os aspectos de nossa vidas para as mudanças climáticas já “contratadas” para as próximas décadas.

Abaixo estão as 19 principais mensagens do relatório do IPCC publicado na última sexta-feira (27).

Sobre as mudanças observadas no sistema climático:

1.O aquecimento do sistema climático é inequívoco e muitas das mudanças observadas, desde os anos 1950, não têm precedentes, ao longo de décadas a milênios. A atmosfera e o oceano se aquecem, as quantidades de neve e gelo têm diminuído, o nível do mar subiu e as concentrações de gases de efeito estufa aumentaram.

2.Desde 1850, cada uma das três últimas décadas tem sido sucessivamente mais quente na superfície da Terra do que qualquer década anterior. No Hemisfério Norte , 1983-2012 foi o período de 30 anos mais quente dos últimos 1400 anos.

3.O aquecimento dos oceanos domina o aumento da energia armazenada no sistema climático, o que representa mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010 e, por isso, o oceano superior (0-700 m) aqueceu.

4.Ao longo das duas últimas décadas, as camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida têm perdido massa, geleiras continuaram a encolher em quase todo o mundo, e o gelo do mar Ártico e a cobertura de gelo na primavera do hemisfério norte continuaram a diminuir em extensão.

5.A taxa de aumento do nível do mar desde meados do século 19 tem sido maior do que a taxa média durante os dois milênios anteriores. Durante o período de 1901-2010, o nível mundial do mar médio subiu 0,19 metros.

6.As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) aumentaram para níveis sem precedentes, pelo menos nos últimos 800 mil anos. Concentrações de CO2 aumentaram em 40% desde os tempos pré-industriais, principalmente a partir de emissões de combustíveis fósseis e, secundariamente, de emissões de mudança líquidas de uso da terra. O oceano absorveu cerca de 30% do dióxido de carbono antropogênico emitido, causando a acidificação do oceano.

Sobre as causas das mudanças observadas e o entendimento do sistema climático:

7.O forçamento radioativo é positivo, e levou a uma absorção de energia pelo sistema climático. A maior contribuição para a radiativa total de forçamento é causada pelo aumento da concentração atmosférica de CO2 desde 1750.

8.Influência humana sobre o sistema climático é clara. Isto é evidente a partir das crescentes concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, a forçante radiativa positiva, o aquecimento observado e a compreensão do sistema climático.

9.Os modelos climáticos melhoraram desde que o IV relatório (AR4 – 2007). Os modelos reproduzem em escala continental os padrões de temperatura de superfície e as tendências observadas ao longo de muitas décadas, incluindo o aquecimento mais rápido desde meados do século 20 e o esfriamento imediatamente após grandes erupções vulcânicas.

10.Estudos observacionais e modelo de mudança de temperatura, reações climáticas e mudanças no balanço energético da Terra, juntos, oferecem confiança na magnitude do aquecimento global em resposta ao forçamento do passado e do futuro.

11.Influência humana foi detectada no aquecimento da atmosfera e do oceano, em mudanças no ciclo hidrológico global, em reduções em neve e gelo, na média global o aumento do nível do mar, e em mudanças em alguns eventos climáticos extremos. Esta evidência de influência humana tem crescido desde o AR4 (relatório anterior do IPCC).

Sobre os cenários futuros das mudanças climáticas:

12.Manutenção das emissões de gases de efeito estufa provocará maior aquecimento e mudanças em todos os componentes do sistema climático. Para restringir ou limitar as alterações climáticas serão necessárias reduções substanciais e sustentadas de emissões de gases de efeito estufa.

13.Mudança de temperatura da superfície global para o final do século 21 é provavelmente superior a 1,5 ° C em relação a 1850-1900 para todos os cenários RCP (cenários representativos de caminhos/tendências), exceto RCP2.6 . O aquecimento vai continuar para além de 2100 em todos os cenários RCP , exceto RCP2.6. O aquecimento continuará a apresentar variabilidade interanual ou interdécadas e não será uniforme regionalmente.

14.Mudanças no ciclo global da água em resposta ao aquecimento ao longo do século 21 não será uniforme. O contraste da precipitação entre as regiões úmidas e secas e entre as estações chuvosa e seca vai aumentar, embora possam acontecer exceções regionais.

15.O oceano global vai continuar a aquecer durante o século 21. O calor vai penetrar desde a superfície até o fundo do oceano e afetar a circulação oceânica.

16.É muito provável que a cobertura de gelo do mar Ártico continue a encolher e afinar e que na primavera do hemisfério norte a cobertura de neve vai diminuir durante o século 21 com o aumento da temperatura média da superfície global . O volume global das geleiras vai diminuir ainda mais.

17.Nível médio do mar global vai continuar a subir durante o século 21. Em todos os cenários RCP, a taxa de aumento do nível do mar, muito provavelmente, será superior à observada durante 1971-2010, devido ao aumento do aquecimento dos oceanos e o aumento da perda de massa das geleiras e camadas de gelo.

18.A mudança climática afetará os processos do ciclo de carbono de uma maneira que irá agravar o aumento de CO2 na atmosfera. Além disso, a absorção de carbono pelo oceano deve aumentar a acidificação do oceano.

19.Emissões cumulativas de CO2 em grande parte determinam o aquecimento superficial médio global até o final do século 21 e além. A maioria dos aspectos das alterações climáticas vai persistir por muitos séculos, mesmo que as emissões de CO2 cessem completamente. Isso representa um comprometimento multisecular substancial das mudanças climáticas criado pelas emissões passadas, presentes e futuras de CO2.

Fonte: National Geographic Brasil - por Tasso Azevedo em 30/09/2013.